sábado, 2 de dezembro de 2017

Meus preconceitos com a inclusão



Durante as atividades relacionadas a disciplina de Educação de Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais, tive algumas surpresas.
Descobri alguns preconceitos, se assim posso chamar quanto a minha visão sobre os altistas por exemplo. Mesmo sem perceber procurava descobrir no altista qual seria sua “super” habilidade, pensava que sua capacidade de se deslocar do mundo real era surpreendente, quando na verdade a situação é outra, a falta de entendimento do que está acontecendo seria uma delas. Mesmo sendo equívocos que parecem comuns, sou humilde em dizer que meu conhecimento é muito restrito quando o assunto são necessidades especiais.
Tendia a pensar que o modelo biomédico teria a solução mais adequada para as pessoas com deficiência. Muito embora sempre achasse que a inclusão social era o caminho mais solidário para o enfrentamento destas situações. A disciplina me fez observar a deficiência sobre um vértice mais sensato. Talvez sensato não seja a palavra ideal. O fato é que estou tentando analisar as situações conforme suas possibilidades e potencialidades de participação. A crueldade intrínseca, no fato de manter crianças acometidas pela poliomielite em pé, independentemente de seu esforço para isso, me leva a pensar o quanto aceitar as diferenças e entender as potencialidades dentro destas diferenças é o que torna a inclusão real.
Interessante pensar no meio como determinante na deficiência imposta às pessoas. Quando pensamos em meio além das estruturas físicas, também no vocabulário, no relacionamento com o outro, na aceitação das diferenças.
A inclusão escolar precisa ser repensada, a intenção de participação de todos está levando as crianças a experiências escolares nem sempre agradáveis ao aluno e aso profissionais de educação. A qualificação dos docentes envolvidos precisa de aprimoramento constante além de auxílio de especialistas que possam orientar nas mais diversas situações e a participação da família no processo educacional.
De qualquer modo, sendo a educação constitucionalmente democrática a inclusão deveria ser,  primeiramente pensada discutida por quem é o sujeito mais interessado, o próprio portador de necessidades especiais, assim com o sujeito incluído se manifestando e dizendo até onde pode e quer chegar e nos auxiliando a nos colocarmos em seu lugar, então poderemos ter a inclusão constituída.




quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Desenvolvimento cognitivo


Durante o modulo 4 da disciplina de Desenvolvimento e Aprendizagem sob o Enfoque da Psicologia II,  precisei ler reler, assistir os vídeos e refletir sobre nossas aulas presenciais.
Nada fácil assimilar os conhecimentos a respeito de uma teoria. Conceitos dependem de interpretação, de (re)significado de expressões e palavras. Demonstrações, comparações são inevitáveis. E quando pensamos que está tudo acomodado vem o tal desequilíbrio e nos apresenta uma nova curiosidade, uma nova necessidade de desequilíbrio. Descobrimos que esta vontade, este querer aprender, é nosso, é humano é o que nos torna seres inteligentes.
Não se daria o conhecimento, se já não tivéssemos atingido a maturação adequada para a aprendizagem, se não tivéssemos disponíveis para a troca de experiências, se não convivêssemos em sociedade, se não houvesse conhecimento anterior para interagir com o novo.


segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Inclusão

        No texto Sobre Crocodilos e Avestruzes a autora, no final, nos trouxe o relato de sua experiência. Quando foi tratada por sua professora com igualdade de respeito aos demais colegas, tratando suas diferenças conforme sua real capacidade de executar as tarefas propostas. 
           Dificilmente esta conduta é adotada nas relações que se estabelecem entre professores e alunos. Muitos  professores ainda tem entendimentos contraditórios sobre a forma de tratar alunos com necessidades educacionais especiais.
            A rotina diária em minha escola acomoda alunos com diferentes laudos de inclusão. Pergunto-me constantemente onde estão as alternativas encontradas para promover as aprendizagens possíveis para estes alunos. A inclusão não ocorre apenas com a matrícula ou a frequência destes alunos, é preciso mais.
         Quando a autora menciona os a relação com a avestruz, de certa forma me identifiquei. Mesmo com um discurso que concorda com  inclusão, fiquei muito assustada com a realidade da escola que estou hoje.

       Percebi o quanto não tenho a preparação e também não estou despojada de preconceitos o suficiente para entender a inclusão. Ainda preciso de muita reflexão, conhecimento e experiência.                 Ter vinte turmas, do primeiro ao quinto ano, faz com que as manhãs e tardes sejam corridas e planejar para tantos alunos não é tarefa fácil. Mesmo com o auxílio da informática , já que sou a Professora do LABIN, não disponibiliza tempo para identificar todos os alunos pelo nome ou reconhecer suas habilidades, como eu gostaria.
         Neste ano, me vi envolvida com alunos com necessidades totalmente diferentes, procurando encontrar possibilidades de construir alternativas de aprendizagens, que promovessem a real inclusão dos alunos, infelizmente não consegui. 

Professor tem que estar em movimento






        Este movimento se torna mais claro cada dia de aula, a cada leitura, a cada atividade. Nossa postura vai se modificando e vamos estabelecendo uma nova conduta frente ao conhecimento e suas formas de expressão.
         A curiosidade vai ocupando espaço e tornando nossas dúvidas em ações que buscam alternativas, frente o desafio docente. Deixa claro que é preciso participar, conhecer e buscar alternativas.
        Toda legislação referente a educação democrática, vista no semestre passado, que promovem a participação coletiva e universalização da educação, plantou uma semente  e me levou a querer participar de forma mais efetiva. Esta bagagem, me deu  coragem para participar de novos desafios, me inscrevi para participar do Fórum Municipal de Educação- FME
        Hoje tivemos a Primeira reunião ordinária  do FME.
        Então,  represento o espaço dos estudantes de ensino superior - UFRGS, como titular e encontro uma colega do PEAD - Porto Alegre, como suplente. É a constatação que a teia de professores se estabelece cada vez que buscamos ações coletivas.
       O Fórum tem por finalidade acompanhar a política educacional do Município, por meio de monitoramento e avaliação do Plano Municipal de Educação.


Pauta de hoje:


1- Apresentação dos membros do FME
2- Breve contextualização/histórico do PME e FME
3- Apresentação da legislação referente ao PME/FME
4- Leitura e aprovação do Regimento Interno
5- Eleição da Coordenação Geral, Grupos de Trabalho Permanente e Secretária Executiva
6- Apresentação de Agenda de Trabalho
7- Apresentação de Relatório e Monitoramento
8- Encaminhamento sobre Avaliação do PME 2017 e CONAE 2018
9-Informações Gerais e Encaminhamentos.

Próximo encontro dia 18/12/2017.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017





Assim são as aulas ...

Fiquei frustrada em não ter o entendimento esperado no texto de filosofia, preocupada com minha capacidade de aprendizagem. Chego a aula de psicologia e descubro que nem tudo está perdido. 
Como é bom ver o interesse de nossos professores em realizar sua tarefa docente, e é com alegria que participo das aulas presenciais. Alegria que não é diferente quando durante as leituras, consigo perceber a interdisciplinariedade dos textos, o quanto uma tarefa complementa a outra, o quanto entendimentos diferentes a respeito de um mesmo assunto são abordados de forma respeitosa  buscando a imparcialidade e reflexão.
Ontem foi noite de descobrir e discutir novos exemplos de estádios de acordo com a teoria de Piaget. 
Tirar dúvidas clarear entendimentos. 
Palavras que se confundiram e levavam à dúvida: Estádio e Estágio ficaram claras. Sabemos agora que não se trata de duas abordagens, mas apenas traduções realizadas em momentos diferentes e em diferentes locais.
Simples assim, estágio tem início e fim, estádio se trata de um estado, condição momento que independe de idade. As vezes a gente complica o que é simples por não entender.
Então, egocentrismo característica absoluta no estádio sensório motor, ocorrerá durante todos os outros estádios do desenvolvimento. Creio que posso dizer que os estádios somam se complementa no desenvolvimento cognitivo, dependendo sempre do anterior para ocorrer sem necessariamente deixar de existir.


domingo, 19 de novembro de 2017

Finitude?

        Nessa semana tive oportunidade de identificar minhas aprendizagens com os textos de filosofia. Explico: Na aula de terça-feira, quando fazia a atividade solicitada para o texto: À Sombra desta Mangueira, de Paulo Freire. Tive a percepção de finitude que o texto traz como uma necessidade de buscar o conhecimento na troca com o outro ou com o meio. A professora, explicou que a finitude relatada no texto, tinha a ver com fechamento de um ciclo e início de outro trazido pela relação de acabado, de fim, de morte.
         A finitude trazida pelo autor com a morte da esposa, que trazia  o fechamento de um ciclo e recomeço de outro. Confesso que voltei para casa um pouco frustrada, li algumas vezes o texto, não achei um texto fácil, ao contrário denso. Percebi minha falta de entendimento e capacidade de interpretação.
        Ocorre que para mim, é muito presente para a aprendizagem  a capacidade de troca. Então sair de mim e buscar no outro, tem a ver com o acabado em mim para refazer com movimento de troca, com o meio com o outro, com o reconstruir. 
         Hoje durante a leitura  do texto de Morin, As Cegueiras do Conhecimento:  O Erro e a Ilusão fez com que me sentisse um pouco melhor em relação ao entendimento da proposta da disciplina. Afinal : “O conhecimento não é um espelho das coisas ou do mundo externo. Todas as percepções são,  ao mesmo tempo traduções e reconstruções cerebrais com base em estímulos ou sinais captados e codificados  pelos sentidos.”  (Morin, 2002). 
        Assim encontrei uma alternativa, voltar a ler os texto após passar esta angústia e tentar encontrar uma nova reflexão que se aproxime do proposto pela professora.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Descobrir


Hoje assisti algumas apresentações no Salão de Ensino UFRGS , fui para assistir meu filho que está participando de um projeto de Learning Design. Na mesma sala outras apresentações que envolviam educação, tecnologia, ambientes virtuais, jogos e  educação a distância foram apresentados. 
Uma destas apresentações foi de uma aluna do PEAD - Porto Alegre, onde ela tentou demonstrar o uso do Blog.
Inicialmente fique ansiosa para conhecer a fala de uma aluna que frequenta o mesmo curso que eu utiliza as mesmas ferramentas. Estava ela se apresentando quando descobri que além de colega de curso era também colega de município.
Conheço o curso, posso falar com propriedade de quem frequenta, e não fiquei satisfeita com o que ouvi. Mesmo tendo dificuldade de manter o blog atualizado e cumprir minhas atividades nas datas, sou muito satisfeita com a mudança que o curso está promovendo em mim, na minha prática docente e na minha exigência enquanto profissional da educação.  
Perceber a mudança que o curso realiza nas práticas diárias não é algo fácil de relatar. 
O curso do PEAD, promove uma mudança pessoal,  que acaba por se refletir na  prática docente. Então mudar práticas em sala de aula acaba por ser uma consequência das mudanças pessoais. Entender isto passa por um exercício de autoavaliação, o que não é simples.
Assisti as apresentações não apenas como uma mãe orgulhosa, mas com uma postura crítica, de que queria ver seu curso bem representado.
Acabei por perceber critérios nas apresentações que me fizeram refletir a respeito das minhas apresentações. Aos poucos foi clareando a função interdisciplinar mas principalmente reflexiva do Seminário Integrador, me vi indignada e frustrada por não ver na apresentação de minha colega a figura desta disciplina que apresenta um mundo de possibilidades entre professor/conhecimento/aluno.
Percebo que a fala, a postura, o uso de vícios de linguagem, e entender que o outro deverá entender a mensagem que pretendemos passar são critérios que sabemos da necessidade, mas só o exercício e a reflexão irão dar resultados. No meu entendimento, é importante que fique claro que um dos objetivos do PEAD é  a reconstrução do professor que está exercendo suas atividades em sala de aula. Novos hábitos, novas leituras a busca da atualização constante, exercício da pesquisa e a utilização de ferramentas para aproximar distância e criar possibilidades de aprendizagem de forma colaborativa.
Não posso deixar de observar que os assuntos foram interessantes.
 Descobri que existe um projeto para traduzir textos técnicos e torná-los acessíveis a leigos, que existe no próprio word uma forma de perceber a complexidade do texto produzido. Descobri que existem aplicativos onde os professores podem desenvolver jogos sem preocupação da programação, que existe projeto interessante para  que os alunos de intercâmbios e professores possam se entender, e este aluno se sinta acolhido na modalidade a distância elaborado pelos professores e alunos de letras. Que o projeto de learning design onde meu filho está inserido tem a finalidade de construir uma ferramenta focada na elaboração das aulas pelos professores.
Foi uma manhã de descobertas.


quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Brasileiros - Conhecer para Valorizar



Durante este semestre, para meu espanto,  estou me percebendo preconceituosa.
Logo eu que sempre tentei e achei que respeitava as diversidades.
Minha forma de pensar a respeito do outro enquanto grupo produtor de cultura, esta sendo desconstruída. Passo a perceber a pluralidade de grupos e  costumes que acabamos por classificar e estabelecer uma única forma de pensar a respeito.
Na aula presencial de 03/10, discutíamos sobre a questão indígena então uma colega falou que os índios já estavam aqui e nó chegamos depois, ou algo parecido. Entendi o quanto na tentativa de desfazer o preconceito agir e falar de forma politicamente correta, acabamos por nos colocar de fora.
Precisamos entender quando usar o nós e o ele, estes pronomes falam muito a respeito do que pensamos e de quem somos.  Não chegamos aqui, nascemos aqui, tenho menos que 500 anos. Também meus colegas, amigos, vizinhos, alunos todos nascemos aqui.
Parece que assumir o país como nosso e entender que somos responsáveis por nossa relação com o outro e com meio em que vivemos é o que nos falta. Conhecer nossa história, entender de onde viemos nos constitui enquanto pessoa que pertence a um grupo fortalece relações estabelece hábitos, cultural. Todo este interesse em conhecer em se fazer conhecer deve ser promovido para o entendimento que este “barco” é nosso. Não podemos fragmentar uma nação, um povo. Um os depoimentos no vídeo Povos Indígenas: Conhecer para Valorizar,

 onde diz que foi preciso para os índios conhecer também “nossa” cultura para poder ajudar a cultura indígena, reflete bem como este grupo mantém viva sua história. A forma como ele se referiu à escola, sabendo exatamente qual o objetivo do índio frequentar a escola,  também me fez pensar. 

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Ética / Convivência


                        "A ética tem a ver com o modo como os relacionamos uns com os outros"
(Márcia Tiburi)




Na atividade  dois de Filosofia, encontramos um convite a refletir sobre como estamos passando para nosso aluno as questões de convivência , se baseados em uma moral, oriunda de hábitos e atitudes nem sempre honrosos ou convidamos nossos alunos para uma reflexão dialógica sobre a construção de nossos hábitos e atitudes.
A construção de uma sociedade ética precisa ser permeada pela reflexão/ação/reflexão.

Promover o entendimento do bom para o coletivo, buscando a aceitação do individual. Conforme a autora Nadja Hermann, considerar na educação as particularidades da situação e a atenção às emoções em relação à construção da moralidade, são contribuições da arte do bem viver.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Inovação na relação da escola


   

   Enquanto zapeava com o controle remoto da televisão, encontrei alguns programas sobre educação. Documentários falando sobre a “quarta revolução industrial”, termo utilizado para identificar o  fenômeno onde as novas tecnologias estão fundindo o mundo físico, biológico e digital,  transformando a maneira
da humanidade se relacionar com o trabalho. Muito mais do que acesso a informação através da internet, uma nova forma de se relacionar com o mundo através da construção de novos hábitos.
     Algumas discussões sobre a precariedade da educação brasileira, em comparação com a Finlândia, onde houve uma reforma educacional, colocando todos os alunos em escolas públicas de qualidade.Promovendo a convivência entre os filhos de trabalhadores de todos as classes financeiras, ampliando a visão de mundo e oportunidade de “se colocar no lugar do outro”.
        Depois do recesso escolar de julho.Os professores foram recebidos pela equipe diretiva com um mimo: um chá e bolo de pote, com dizeres afetuosos e otimistas: “chá de ânimo” e “tenha um doce retorno”. Um mimo delicado e gentil oferecido aos professores.
        Então, como foram recebidos nossos alunos?
     Como recebemos nossos alunos? Foi organizado pelos órgãos de participação coletiva o retorno destes estudantes?
      Será que acolher de forma fraterna e amorosa,  amor no sentido de respeito e tolerância as diferenças, poderia auxiliar no sentimento de pertencimento a escola que tanto falta aos nossos alunos?
        Sabemos o quanto ritos de passagem são importantes para todos.
        Discussões sobre inovação pedagógica existem, mas não alcançam o avanço desta revolução que acaba por segmentar ainda mais classes sociais.
      Leis são sancionadas para a garantia de direitos e inclusão dos estudantes. A implantação deste direito e inclusão, que é apresentada de forma autoritária para os docentes.
      Mais importante do que conhecer, saber utilizar ou ter ao alcance as benesses de toda esta tecnologia e inovação é a construção do aluno enquanto sujeito.
         Nem menciono aqui a possibilidade de estabelecer uma educação cidadã onde o indivíduo se sinta ativo na sociedade.
          Mais importante, é a construção do sujeito, a construção de relações, entender que nos relacionamos de várias formas, em diferentes ambientes, com diferentes pessoas, e também que tipo de relação teremos com toda esta inovação em tecnologia.
          Mais importante, é a valorização da vida e do respeito as diferenças.
         Mais importante  é entender que mudanças acontecem a todo momento e são elas que nos modificam nos constroem nos fortalecem.
       Iniciei o texto tentando refletir sobre a necessidade de boas escolas, estrutura de recursos, professores qualificados, e família presente no processo educacional. Ouvindo meus alunos, quando perguntei como eles se sentiram no retorno as aula, e propondo uma reflexão de como foram recebidos na  escola, pelos professores e colegas, passei a refletir sobre “o outro”.
      O que mais chamou a atenção dos alunos não foi a escola limpa e arrumada, mas a falta de afeto nas relações com os seus pares, a falta de acolhimento pelos próprios colegas de classe. Cada vez mais as relações se tornam agressivas, desrespeitosas e violentas.
       Precisamos recriar o significado da escola onde o aluno se sinta atingido e atingindo um objetivo coletivo.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Salão UFRGS 2017: XIII SALÃO DE ENSINO DA UFRGS.

Durante a aula presencial de Organização e Gestão da Educação e Organização do Ensino Fundamental, fomos convidadas a participar do processo de seleção para apresentação de trabalhos no Salão UFRGS 2017: XIII SALÃO DE ENSINO DA UFRGS.
Trata-se do texto PEAD e a Docência de uma professora Alfabetizadora, que escrevi e foi revisado pela professora Larisa, postado neste blog.
Já sabia deste processo, mas foi durante a aula presencial que criei coragem de tentar.
Não fui selecionada, mas a coragem acho que continua. 
De qualquer modo a possibilidade de submeter meu texto e ter uma devolutiva motivadora de minha orientadora, foi muito gratificante.  
As disciplinas  Organização e Gestão da Educação e Organização do Ensino Fundamental, auxiliaram a entender um pouco mais todo este processo democrático que está acontecendo nas escolas e era tão diferente quando eu alfabetizava anos atrás.
Muito obrigada equipe do PEAD, sempre disposta a nos motivar e auxiliar a construção de nossa docência. Muito obrigada professora Larisa.
O PEAD e a DOCÊNCIA de uma professora alfabetizadora

Autora: Silvana Garcia
Orientadora: Larisa da Veiga Vieira Bandeira


Fui professora alfabetizadora durante os anos de 1996 até 2003, trabalhando com turmas de primeira série. A tarefa de alfabetizar era minha, ensinar a ler escrever compreender frases e pequenos textos, fazer contas resolver “probleminhas”, testes de leituras realizadas pela supervisora da escola, que dava o aval final para a progressão do aluno para a próxima série. Depois de doze anos de intervalo, volto, a exercer a docência com turmas de primeiro ano em 2015. Agora, a tarefa de alfabetizar os alunos, não é apenas minha. Divido esta tarefa com outras professoras do Bloco de Alfabetização, que trabalham em conjunto por três anos. O entendimento de alfabetização se modifica, e se pensa nela como um processo extensivo para as crianças de seis anos de idade, e que deve contemplar as crianças que estão em salas Atendimento Educacional Especializado (AEE) e/ou escolas especiais, participando ativamente da rotina, incluídas em salas de aula regulares. Eu era então, uma professora alfabetizadora com métodos do século XIX, exercendo a docência no século XXI. Diante deste contexto o PEAD /UFRGS, Curso de Pedagogia na modalidade de educação a distância, que é oferecido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul é fundamental para o processo de minha constituição docente. A formação proposta pelo curso leva a constante reflexão promovendo minha reconstrução e ressignificação e auxilia com suas metodologias interativas a transpor barreiras, apresentadas pelo uso da tecnologia, necessidade de adequação a legislação e principalmente a entender esta relação democrática que se estabelece entre professor e aluno e com a comunidade escolar, pautada pelo respeito e conhecimento. Atualmente ficamos sujeitos na educação ao imediatismo, as informações disponíveis nas mídias são inúmeras, porém, muitas vezes, sem real significado, muita informação pouca sabedoria (Bauman, 2015). Ontem tínhamos objetivos claros, propósitos pré-definidos e determinados e executávamos nossas tarefas, hoje a relatividade e adequação são situações reais e constantes na educação, os planejamentos são coletivos e as decisões devem ser compartilhadas. Um dos conceitos trabalhado no quinto eixo (2017/1), na segunda edição do Curso, na interdisciplina de Gestão e Organização da Educação foi gestão escolar, como qual foi possível refletir sobre as escolas nas quais já trabalhei, onde diretoras eram indicadas e hoje são eleitas. A democracia na gestão escolar se trata de uma conquista, de um exercício diário e é prevista pela Lei de Diretrizes e Bases de 1996, em seu artigo 14. Inicialmente diretores eram indicados, já vi professores eleitos por favores prometidos. Os Órgãos colegiados colaboram para este processo e também estão aprendendo a exercer as suas atribuições. Conselhos Escolares, Grêmios estudantis, Associação de Pais e Mestres compõe uma comunidade envolvida na formação escolar, contribuindo, sugerindo, deliberando, dividindo responsabilidades com o Estado. Cabe lembrar aqui que esta medida de descentralização e autonomia, também reduz gastos públicos e desobriga o Estado (Libâneo – 2007). Espero estarmos caminhando rumo à eleição por competência e habilidade em gestão. Então, após 21 anos exercendo a função de docente no Município, passo a ter conhecimento do que seria a terceirização da Educação infantil, através de escolas infantis, onde o grupo docente é contratado através de associações, sem os direitos adquiridos pelos profissionais da educação. Toda a percepção que estou adquirindo, não seria possível sem esta formação e reciclagem que o PEAD oferece que motiva os professores que estão em sala de aula, diante às dificuldades diárias e de se conhecer como sujeitos, descobrindo suas potencialidades, através de novas ferramentas, de leituras diárias e da sistematização de uma rede de professores capazes de dividir experiências, transpor barreiras, realizar intervenções, refletir, e propor outras estratégias de atuação docente.

domingo, 25 de junho de 2017

Seminário sobre Desenvolvimento e Incentivo à Pesquisa na Escola - IFRS

 No dia 06 de junho, participei de uma formação oferecida aos professores do município de Canoas através do Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia – Campus Canoas, trata-se do Seminário sobre Desenvolvimento e Incentivo à Pesquisa na Escola.
Foram oferecidas duas palestras ministradas pela professora Drª Rita de Cássia Dias Costa – Pedagoga; “ Pesquisas em sala de aula: Aprendizagens e Reflexões” e “Feiras Escolares: a arte de reinventar-se”.
Na verdade foi relato de experiências de uma professora que trabalha com pesquisa através de Projeto de Aprendizagem, com os alunos do ensino médio do IFRS – Campus Sapiranga.
Passo a passo ela foi relatando o desenvolvimento da pesquisa dos alunos, seus limitadores e o quanto o olhar observador e a organização do professor ao orientar, seus alunos, fazem a diferença para a consolidação deste tipo de metodologia.
Rotinas comuns de sala de aula e situações cotidianas que as vezes pensava que era só comigo, que acontece, foram abordadas de forma natural ao desenvolvimento da aprendizagem. Como a escolha imprópria de alguns projetos, por sua própria natureza, ou situações inviáveis, a construção de um homem de ferro como do filme, por exemplo, seria uma delas. Como deixar o aluno perceber a limitações e dificultadores de seu projeto, flexibilizar rotinas e horários em função da execução dos projetos.
A importância da feira como ponto alto do projeto, onde os alunos têm a oportunidade de mostrar e compartilhar tanto o projeto concluído como o processo de criação.
Compartilhar experiências, conhecimentos usar a curiosidade do aluno como instrumento motivador faz parte desta metodologia de aprendizagem, que utiliza a pesquisa como norteadora para a construção de uma nova forma de desenvolvimento da educação.
Não se trata do uso da pesquisa apenas como método ou recurso esporádico e sim como base para uma  formação interdisciplinar.


sábado, 17 de junho de 2017

Troca como produtora de aprendizagem

    
     
            Durante as atividades referentes a disciplina Psicologia na Vida Adulta, fui me apropriado de novos conhecimentos referentes as funções do cérebro.
       Após algumas leituras, quando penso em aprendizagem me reporto a "troca" seja nas intervenções com o meio, na relação com o outro ou nas conexões neurais, descargas elétricas, sinapses; identifico a importância da troca como produtora do novo.
            Fica mais simples, para entender a comparação entre o desenvolvimento cognitivo de Piaget, e o modelo de funções executivas de Fuster. Onde as funções cognitivas do córtex pré-frontal, são transações neurais que ocorrem entre e intra redes cognitivas do cérebro (cognits), e acabam por constituir a percepção, atenção, memória, inteligência e linguagem.
           Funções estas, que interagem com o meio ambiente do indivíduo formando a aprendizagem que não ocorre sem memória, percepção, linguagem inteligência e atenção.
             Entendo como uma relação de interdependência que produz aprendizagem.




Referencia Bibliográfica:

Revista Eletrônica em Psicologia e Epistemologia Genéticas - Volume 6 Número Especial - Novembro/2014 www.marilia,enesp.br/scheme 

domingo, 7 de maio de 2017

Iniciou novo semestre

       
       Confirmado, estamos no Eixo V, já realizamos 50% do curso!
      Esta afirmação nos dá força, uma sensação que tudo vai dar certo. Concluir a graduação se torna mais palpável.
    A cada disciplina, percebendo a tarefa entusiasta e apaixonada de nossos professores em possibilitar a construção de novos educadores, de forma interdisciplinar, na preocupação em transformar  qualificando a educação.
       As dificuldades encontradas por nós alunas, são levadas em consideração, quase que previstas.
     Porém aluno é aluno, em qualquer lugar, mesmo que este aluno em algum momento seja professor.    Então, as dificuldades que nossos Mestres encontram para a conclusão do curso, nem sempre conseguem compor a reflexão do grande grupo. Me refiro aqui, a dificuldades pertinentes ao momento político, a cortes financeiros, adequação de docentes, extinção de programas ou até mesmo de rotina pessoal.
    Percebo a proposta de uma aprendizagem amorosa, onde o afeto constrói conhecimento, baseado em confiança., seguindo o caminho da objetividade-entre-parênteses (Maturama,2002).

Por exemplo, pode-se considerar a relatividade das condições de existência, sem necessariamente uma hierarquização, de quem estaria mais próximo ou mais afastado do “verdadeiro”. Essa atitude implica mudanças nas práticas docentes. Em sala de aula, o professor considera como legitimas as experiências e ou mundos vividos de seus alunos e pode construir pontes desses mundos para o mundo das ciências, no qual tem o compromisso de introduzir seus alunos. Alunos e professores, relativizando seu saber, abrem espaço para aprenderem juntos. (Real; Picetti)

      Fica a inquietação que nos leva a reflexão observada na leitura do texto: Ser professor reflexivo, de Isabel Alarcão, que apresenta a autonomia no seu sentido mais completo, ultrapassando capacidades ou habilidades. Propondo a máxima: Descobre o sentido da tua profissão e descobre-te a ti mesmo como professor.
       Sigo rumo a conclusão da graduação, na certeza de que não poderei mais parar.
       Concluir o curso é para mim um desafio pessoal, me parece que para nossos professores também.
       Obrigada por não desistirem de nós!











quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Fotografias, imagens e emoções

                                                                        Com sabedoria, Bresson avisava: 

                                                        “Não podemos copiar e revelar uma lembrança.”



             Durante as atividades da disciplina de Estudos Sociais, várias vezes me percebi buscando memórias.
       Quando queremos demonstrar comprovar lembranças e recordações, nos valemos inicialmente de fotografias e objetos.
             Recordações podem surgir em um repente, fruto da memória involuntária, através de outros fatores como sabores, aromas sons e imagens.
                A forma como tratamos a fotografia, o olhar de quem fotografa ou se quer fotografar. O tratamento de descarte que damos a imagem que não nos satisfez, torna a fotografia um recurso histórico tão manipulável quanto nossos livros didáticos. Fotografias tem um diferencial que vai além dos sentimentos e emoções que nos causam. Elas podem, para o coletivo demonstrar situações reais. Vestimentas, senários de natureza, senários de situações cotidianas comprovam costumes e necessidades de uma época.
                 De qualquer modo a fotografia encanta, é uma arte e demonstra o olhar de seu autor, pode transbordar curiosidade, sentimentos bons ou ruins.
               Refletindo como tratamos nossas fotografias, percebo que existe um grupo pequeno de pessoas que percebem na fotografia a importância do registro de momentos, fatos e sentimentos.
           Não são poucas as situações onde encontramos, fotografias guardadas em caixas, fechadas armazenadas sem cuidado, como se fossem estar sempre disponíveis, e permanecesse com elas “o todo do momento”.
              Com o tempo a fotografia perde o sentido individual ou do grupo, e passa a ser um registro físico.
             Encontrei nos guardados de minha mãe, fotos de pessoas que nem sei quem são. Fotografias guardadas em caixas já amareladas e danificadas pelo tempo. Pessoas com roupas de banho, “meninas” vestidas de noiva, grupos escolares só de meninos.
           Apenas registro de uma época, o pudor de corpos cobertos, meninas que casavam cedo onde preferencialmente, apenas os meninos estudavam. Não sei quem tirou as fotos ou quem são as pessoas ali representadas, estavam guardadas, se perdeu o sentimento.
          Hoje fotos registram em redes sociais aparências, que seus autores querem que sejam vistas, sem verdade, registram apenas o que é “permitido” ser registrado, porém até mesmo estas fotografias de interesse individual são instrumentos voláteis, descartadas em um clik.

        O tratamento que damos a nossas fotografias não foge ao tratamento que damos a nossa história seja pessoal ou coletiva. Estamos ainda aprendendo a preservar, a ter interesse pelo que nos antecede, ao que nos deu origem ao que nos constrói.  

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Portfólio

             Pela primeira vez elaboro uma atividade de portfólio com meus alunos.
        Confesso que sempre tive curiosidade em elaborar, até realizei algumas atividades que poderiam ser nomeadas como portfólio, nunca com esta pretensão expressa.
         Durante a elaboração desta atividade, percebi possibilidade de criação de um material organizado, formalmente embasado, com a participação individual dos alunos.
         Encontrei a possibilidade de aferir a participação do aluno na construção de sua cidadania. Demonstrando como  aluno percebe sua cidade.
         Infelizmente, realizei a atividade proposta durante a recuperação.
        Não pude ainda colocar em prática  com os alunos. As atividades sugeridas, muitas já realizei, porém soltas sem uma ordem cronológica definida. O que o portfólio oportuniza é a consciência cronológica e formal dos acontecimentos reunidas em um material, tendo o aluno como agente participativo do processo. Pesar de forma coerente  com o propósito de um objetivo final palpável.
         Estou muito feliz e entusiasmada para realizar esta atividade com meus alunos do projeto Mais Educação neste ano de 2017, independente das faixas etárias. Propor atividades que tem a presunção de mostrar  o olhar das crianças para a cidade.
            Creio que estarei em vantagem nesta atividade, em comparação com minhas colegas da escola, já que o objetivo de ser um instrumento de avaliação da aprendizagem não estrará como foco principal.
                Para a confecção deste "projeto" pretendo demonstrar a interação do alunos com sua cidade, seu entendimento de políticas públicas, sua capacidade de se sentir parte.                    Acho um projeto ousado e amplo, onde os limites serão estabelecidos pelo interesse de cada aluno.
         Entrei em contato com alguns locais que poderão auxiliar nesta atividade, comuniquei equipe diretiva da escola. Agora é esperar e ver como meus alunos vão receber esta proposta.


O que significa mesmo perguntar?


          Quando iniciei a leitura do livro, Por uma pedagogia da pergunta? de Paulo Freire e Antônio Faundez, ingenuamente, esperava uma análise psicológica de como a postura do professor, interfere na maneira que o aluno aprende, ou a flexibilidade em aceitar os questionamentos dos alunos conduzem uma aula mais interessante.
         Surpresa, me deparei com uma leitura crítica cheia de posicionamentos políticos, considerando o conhecimento intelectual científico frente ao conhecimento empírico e a costumes culturais.
       Considerando e valorizando saberes, buscando construir autossuficiência em grupos colonizados, presos por crenças impostas.
         Trechos da leitura como:

“Sabemos que a linguagem é de natureza gestual, corporal, é uma linguagem de movimento de olhos, de movimento do coração. A primeira linguagem é a. linguagem do corpo e, na medida em que essa linguagem é uma linguagem de perguntas e na medida em que limitamos essas perguntas e não ouvimos ou valorizamos senão o que é oral ou escrito, estamos eliminando grande parte da linguagem humana. Creio ser fundamental que o professor valorize em toda sua dimensão o que constitui a linguagem, ou as linguagens, que são linguagens de perguntas antes de serem linguagens de respostas.”

“...de que hoje o ensino, o saber, é resposta e não pergunta.”

“A natureza desafiadora da pergunta tende a ser considerada, na atmosfera autoritária, como provocação a autoridade.”

“A questão que se coloca está na compreensão pedagógico-democrática no ato de propor.”

         Me levam a insatisfação da docência ingenua.
        Devemos ir além de aulas motivadoras. Mais do que uma postura flexível de aceitar perguntas ou usar perguntas como recurso. Refletir sobre as perguntas.Buscar entender o contesto que o aluno se encontra.Considerar a curiosidade que existe em cada ato de perguntar. Entender a verdade que está sendo demonstrada na pergunta.
      Alfabetização , letramento e representação de mundo tem a ver com professores e alunos buscando juntos alternativas para a construção da cidadania.
         Um dos alunos do Projeto Mais Educação, muito inquieto e com poucos amigos na escola me perguntou:
          - “Profe” quando a senhora era pequena do que tinha medo? Devolvi perguntei do que ele tinha medo?
             Me respondeu que tinha medo de ficar sozinho. Não queria ficar sozinho em casa. Não queria sair do Mais Educação.
              Fiquei curiosa e comecei a investigar.
           O medo que tinha era de “espíritos”,  ele tinha assistido a alguns ritos religiosos, com mortes de animais e entidades, junto com sa mãe.
         Conversei com a mãe, explicando que seria muito cedo para a participação de uma criança, nestes rituais. Ela me disse, que era importante que ele participasse,  era muito sensitivo e ainda não sabia lidar com sua potencialidade.
           Esta atitude da mãe estava prejudicando o menino que já não conseguia nem ficar no silêncio de tanto medo.
             Perguntas vão além de curiosidade, também demostram uma realidade, pedem ajuda.
       Perguntas ensejam respostas, que nem sempre nós professores estamos preparados para responder. Perguntas presumem um ato de coragem e humildade. Coragem em responder, humildade em construir alternativas possíveis como respostas.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Pesquisa e Aprendizagem

Cursar esta graduação se tornou um grande desafio.

Na ingenuidade de considerar que o conhecimento prévio basta
.
Humildemente, percebo que minhas certezas são provisórias.

Não posso deixar de ter dúvidas temporárias.

Dúvidas temporárias, devem ser constantes, instigantes.

O exercício da docência estabelecido de forma cooperativa, interdisciplinar.

Uma extensa rede de conhecimentos.

Questões investigativas validando e refutando certezas

Reconstruindo a sistematização da aprendizagem.

A ato da pesquisa em si,

como modo de consolidar a aprendizagem.

Através da pesquisa

transformar, transpor, superar

amadurecer, exercitar.

Verbos interligando ideias construindo mapas conceituais.

Plano de ação: o que?

Como? Documentos, experimentos, entrevistas...

Relatórios, avaliação do processo.

Se torna desafiante praticar

o que não foi ainda consolidado em mim.

Hábitos antigos, devem ser deixados para trás.

Uma nova proposta a ser aceita,

De coração aberto, sem vícios ou fracassos


Uma sucessão de tentativas.

Espaço, Forma e Criança

          Depois de algum tempo fazendo a mesma coisa, nosso cérebro passa para o automático, assim dizem os especialistas. Que bom que lecionar não nos permite agir assim.
          Mesmo que existam professores que utilizam o mesmo "caderninho"e tenham resistência a mudanças. Lecionar enseja em "estar aberto ao novo".
           Acredito que ajustar em nossas aulas as três vertentes do conhecimento defendidas por  Shulman(1992): conhecimento do conteúdo, conhecimento do currículo e conhecimento do pedagogia, este ajuste não é tarefa estagnada.
       Para a elaboração de atividades que serão propostas em aula é fundamental ter consciência das habilidades que pretendemos trabalhar, desenvolver ou consolidar com nossos alunos, utilizar técnicas adequadas para faixa etária e atender a sistematização que o currículo exige.
           Não bastam atividades baseadas no próprio corpo, em brincadeiras ou materiais concretos. 
          Para entender de onde partimos e onde queremos chegar é necessário refletir, estudar e planejar.
         Entender que objetos comuns do dia a dia se tornam objetos geométricos, passa pela transposição do sensório motor ao abstração do conceito. Como sabemos mesmo existindo classificação de fazes do desenvolvimento infantil, elas nem sempre ocorrem na mesma ordem cronológica em todas as crianças.
         No meu caso, como docente não posso contar com a memória que muito me falha, preciso rever conteúdo e o planejamento se torna  fundamental.
         Assim pensar no  ajuste da transposição do concreto ao conceito, do real ao imaginário  considerando as vertentes do conhecimento de currículo, de conteúdo e pedagógico, pressupõe  uma base estruturada para o que vem após  a Educação Infantil ou séries iniciais do Ensino Fundamental.      

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Sonhar



             “Todo mundo sonha acordado às vezes, como um cientista, de alguma forma. Fantasias elaboradas com disciplina são a grande fonte de todo pensamento criativo. Newton sonhava, Darwin sonhava, você sonha.” (Edward O. Wilson, 2015)

                Quase sempre apresentamos a disciplina de ciências como uma forma de classificar, comprovar, demonstrar teorias. Assim nós professores levamos para a sala de aula hipótese pré selecionadas.

               Encaminhamos o aluno a uma descoberta orientada.

                Não que julgue errado, a indução a métodos científicos, pelo contrário.

              Penso, em como poderia ser encantador para nossos alunos o isentivo a seus sonhos, deixar que trouxessem para o grande grupo sem tolir ou induzir, seus desejos de criar. Uma estrutura escolar com laboratórios, insumos.
           Ou invés de apenas  montar  criações com sucata, desenhos imaginativos ou texto absurdos.

               Simplesmente sonhar, desejar, criar fora do contexto midiático que somos inseridos.

         Também concordo que grandes invenções se dão com a participação de vários membros da comunidade científica, com muto trabalho, disciplina e perseverança e exemplo da tabela periódica. 

         Assim dividir ideias e compartilhar sonhos é multiplicar conhecimento e possibilidades.



REFERÊNCIAS 

Edward O. Wilson, Cartas a um jovem cientista. tradução Rogério Galindo, 1ª edição - São Paulo; Companhia das Letras, 2015.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

SUSTENTAILIDADE



           Quando pensamos em Educação Ambiental nas escolas, ainda prevalesse uma visão romântica de cuidados com a natureza ou a questão da alimentação orgânica, por exemplo.
        Atividades de feijão no algodão, cabelo de alpiste em bonecos, cuidar do lixo, reciclagem e hortas exercitam o olhar observador dos alunos, nos auxiliam como recursos na aprendizagem.                       Precisamos refletir, ir além.
      Pensar sustentabilidade vai além das atividades curriculares, sabemos da importância da  Educação Ambiental nas escolas, criar a cultura do uso sustentável dos recursos naturais esbarra na dinâmica de nossa rotina de vida.
          Pensar em sustentabilidade vai além de pensar em novos meios de produzir energia, mas em como utilizar energia e para que utilizar. Sustentabilidade tem a ver com nova forma de viver, tem ver com o pensar no todo, pensar em todos. Ouvir, aprender e entender as relações da natureza com as necessidades da humanidade.
            Observamos o caso das indústrias madeireiras, existe o replantio de árvores para as indústrias, mas não basta. 


                Conforme Santos e Silva (p.75-76, 2010)

                 "O avanço dessa indústria pelo interior do Rio Grande do Sul faz com que os campos próximos aos da Comunidade estejam sendo invadidos pelas plantações do pinus elliot e da acácia negra. Este fato tem sido motivo de preocupação constante para os interesses da comunidade. Devido à forte sedução econômica que esta alternativa oferece em curto prazo, os quilombolas ficam tentados a fazer este tipo de plantio, especialmente dada a facilidade de ganho financeiro com o comércio da madeira.
Aliado a esse fator de ordem econômica, existe uma preocupação ambiental na comunidade e diz respeito ao avanço das dunas de areia que, por um fenômeno geofísico, avançam de maneira constante e permanente, da praia em direção às áreas de terras produtivas na comunidade."


             Percebo que o interesse financeiro esbarra nos valores cultivados nas comunidades quilombolas. Povos indígenas , comunidades quilombolas, pescadores tem muito a ensinar ao povo das cidades que esquecem ou desconhecem sua origem.
                        Não existimos artificialmente ou virtualmente, respeitar a terra, a água ao ar tem a ver com o respeito em nossas relações de convivência com toda a forma de vida. 
               Sustentabilidade é um grande processo em desenvolvimento que atinge interesses sejam pessoais ou coletivos.




REFERÊNCIAS

Santos, S. V.; Silva, P. S.; PROEJA Quilombola Pelotas: Editora Universitária/UFPEL, p.75-76, 2010.





sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Tendencias Docentes

           A sistematização da disciplina de matemática recebe a influência do poder público, das práticas docentes e livros didáticos (recursos disponíveis).
                   A escolha dos recursos pelo professor, o modo que os utiliza, a ordem e forma de apresentar conteúdos como adição e subtração em sala de aula demonstra suas tendências na prática docente. Quando valoriza a técnica o passo a passo; tecnológica identificando as explicações e justificativas; construtivista/exploratória priorizando ações concretas e a descoberta.
             Também a realidade das instituições e como subsidiam o trabalho do professor, sejam as instituições onde este profissional atua ou se formou.


                    Conforme, Euclides Roxo(1934)

                  (…) no contexto do ensino primário, as propostas da *Escola Nova eram bem mais aceitas pelos professores do que no ensino secundário, que ofereciam maior resistência em alterar as suas práticas.

          Percebo em minha escola, que professores de matemática dos anos finais do Ensino Fundamental ou Ensino Médio que passaram pelo curso de magistério, com todas suas didáticas e psicologias, como é o caso dos professores dos anos iniciais, tem visão mais holística quanto a aprendizagem e seus reflexos, considerando o processo tão importante quanto o resultado.
               


*Escola Nova, também chamada de Escola Ativa ou Escola Progressiva, foi um movimento de renovação do ensino, que surgiu no fim do século XIX e ganhou força na primeira metade do século XX.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Campo Aditivo _ Pensando no ensinar



          Não lembro quase nada das minhas aulas de Didática da Matemática, durante o curso de magistério.
       Lembro do flanelógrafo, dos palitos de picolé tingidos, do quadro valor lugar, da necessidade de utilizar o material concreto, apresentação do material dourado, utilizar substituições, mas quanto a “aplicar conteúdos” (coisa mais antiga) muito pouco,...
           Volto então a Ruben Alves: Mas como? Mas como?
        Durante o decorrer do ano letivo, por mais que tentasse, alguma coisa não estava bem. 
          Descobri que faltava domínio dos conhecimentos que precisava explorar, faltava a realização de intervenções que fazem diferença, faltava apresentar brincadeiras jogos atividades de uma forma diferente da que eu tinha aprendido com meu pai (foi ele que me ensinou matemática).
         Quanto na leitura: “A matemática em sala de aula- reflexões propostas para os anos iniciais do ensino fundamental”, me coloco a refletir que não estou sozinha na minha angustia, existe sim implicações na formação docente que se traduz na qualidade da aprendizagem do aluno, que vão além do querer ensinar do professor.
      A forma de como abordar com os alunos o conhecimento, também pode ser classificada e devemos entender o que estamos fazendo, não basta dizer “eu faço um pouco de cada coisa, aproveito um pouco de cada livro”, quando se trata de praticar a docência é preciso entender e defender algo que acreditamos, testamos e concluímos que é bom, que serve para esta ou aquela situação de aprendizagem.
           A disciplina Representação do Mundo Através da Matemática está desafiando o meu “ensinar matemática” , e também tenho encontrado respostas para  questões sobre técnica e  sobre atitudes exploratórias, construtivistas.