O PEAD e a DOCÊNCIA de uma
professora alfabetizadora
Autora: Silvana Garcia
Orientadora: Larisa da Veiga Vieira Bandeira
Fui professora alfabetizadora
durante os anos de 1996 até 2003, trabalhando com turmas de primeira
série. A tarefa de alfabetizar era minha, ensinar a ler escrever
compreender frases e pequenos textos, fazer contas resolver
“probleminhas”, testes de leituras realizadas pela supervisora da
escola, que dava o aval final para a progressão do aluno para a
próxima série. Depois de doze anos de intervalo, volto, a exercer a
docência com turmas de primeiro ano em 2015. Agora, a tarefa de
alfabetizar os alunos, não é apenas minha. Divido esta tarefa com
outras professoras do Bloco de Alfabetização, que trabalham em
conjunto por três anos. O entendimento de alfabetização se
modifica, e se pensa nela como um processo extensivo para as crianças
de seis anos de idade, e que deve contemplar as crianças que estão
em salas Atendimento Educacional Especializado (AEE) e/ou escolas
especiais, participando ativamente da rotina, incluídas em salas de
aula regulares. Eu era então, uma professora alfabetizadora com
métodos do século XIX, exercendo a docência no século XXI. Diante
deste contexto o PEAD /UFRGS, Curso de Pedagogia na modalidade de
educação a distância, que é oferecido pela Universidade Federal
do Rio Grande do Sul é fundamental para o processo de minha
constituição docente. A formação proposta pelo curso leva a
constante reflexão promovendo minha reconstrução e ressignificação
e auxilia com suas metodologias interativas a transpor barreiras,
apresentadas pelo uso da tecnologia, necessidade de adequação a
legislação e principalmente a entender esta relação democrática
que se estabelece entre professor e aluno e com a comunidade escolar,
pautada pelo respeito e conhecimento. Atualmente ficamos sujeitos na
educação ao imediatismo, as informações disponíveis nas mídias
são inúmeras, porém, muitas vezes, sem real significado, muita
informação pouca sabedoria (Bauman, 2015). Ontem tínhamos
objetivos claros, propósitos pré-definidos e determinados e
executávamos nossas tarefas, hoje a relatividade e adequação são
situações reais e constantes na educação, os planejamentos são
coletivos e as decisões devem ser compartilhadas. Um dos conceitos
trabalhado no quinto eixo (2017/1), na segunda edição do Curso, na
interdisciplina de Gestão e Organização da Educação foi gestão
escolar, como qual foi
possível refletir sobre as escolas nas quais já trabalhei, onde
diretoras eram indicadas e hoje são eleitas. A democracia na gestão
escolar se trata de uma conquista, de um exercício diário e é
prevista pela Lei de Diretrizes e Bases de 1996, em seu artigo 14.
Inicialmente diretores eram indicados, já vi professores eleitos por
favores prometidos. Os Órgãos colegiados colaboram para este
processo e também estão aprendendo a exercer as suas atribuições.
Conselhos Escolares, Grêmios estudantis, Associação de Pais e
Mestres compõe uma comunidade envolvida na formação escolar,
contribuindo, sugerindo, deliberando, dividindo responsabilidades com
o Estado. Cabe lembrar aqui que esta medida de descentralização e
autonomia, também reduz gastos públicos e desobriga o Estado
(Libâneo – 2007). Espero estarmos caminhando rumo à eleição por
competência e habilidade em gestão. Então, após 21 anos exercendo
a função de docente no Município, passo a ter conhecimento do que
seria a terceirização da Educação infantil, através de escolas
infantis, onde o grupo docente é contratado através de associações,
sem os direitos adquiridos pelos profissionais da educação. Toda a
percepção que estou adquirindo, não seria possível sem esta
formação e reciclagem que o PEAD oferece que motiva os professores
que estão em sala de aula, diante às dificuldades diárias e de se
conhecer como sujeitos, descobrindo suas potencialidades, através de
novas ferramentas, de leituras diárias e da sistematização de uma
rede de professores capazes de dividir experiências, transpor
barreiras, realizar intervenções, refletir, e propor outras
estratégias de atuação docente.
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