quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Fotografias, imagens e emoções

                                                                        Com sabedoria, Bresson avisava: 

                                                        “Não podemos copiar e revelar uma lembrança.”



             Durante as atividades da disciplina de Estudos Sociais, várias vezes me percebi buscando memórias.
       Quando queremos demonstrar comprovar lembranças e recordações, nos valemos inicialmente de fotografias e objetos.
             Recordações podem surgir em um repente, fruto da memória involuntária, através de outros fatores como sabores, aromas sons e imagens.
                A forma como tratamos a fotografia, o olhar de quem fotografa ou se quer fotografar. O tratamento de descarte que damos a imagem que não nos satisfez, torna a fotografia um recurso histórico tão manipulável quanto nossos livros didáticos. Fotografias tem um diferencial que vai além dos sentimentos e emoções que nos causam. Elas podem, para o coletivo demonstrar situações reais. Vestimentas, senários de natureza, senários de situações cotidianas comprovam costumes e necessidades de uma época.
                 De qualquer modo a fotografia encanta, é uma arte e demonstra o olhar de seu autor, pode transbordar curiosidade, sentimentos bons ou ruins.
               Refletindo como tratamos nossas fotografias, percebo que existe um grupo pequeno de pessoas que percebem na fotografia a importância do registro de momentos, fatos e sentimentos.
           Não são poucas as situações onde encontramos, fotografias guardadas em caixas, fechadas armazenadas sem cuidado, como se fossem estar sempre disponíveis, e permanecesse com elas “o todo do momento”.
              Com o tempo a fotografia perde o sentido individual ou do grupo, e passa a ser um registro físico.
             Encontrei nos guardados de minha mãe, fotos de pessoas que nem sei quem são. Fotografias guardadas em caixas já amareladas e danificadas pelo tempo. Pessoas com roupas de banho, “meninas” vestidas de noiva, grupos escolares só de meninos.
           Apenas registro de uma época, o pudor de corpos cobertos, meninas que casavam cedo onde preferencialmente, apenas os meninos estudavam. Não sei quem tirou as fotos ou quem são as pessoas ali representadas, estavam guardadas, se perdeu o sentimento.
          Hoje fotos registram em redes sociais aparências, que seus autores querem que sejam vistas, sem verdade, registram apenas o que é “permitido” ser registrado, porém até mesmo estas fotografias de interesse individual são instrumentos voláteis, descartadas em um clik.

        O tratamento que damos a nossas fotografias não foge ao tratamento que damos a nossa história seja pessoal ou coletiva. Estamos ainda aprendendo a preservar, a ter interesse pelo que nos antecede, ao que nos deu origem ao que nos constrói.  

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