Com sabedoria, Bresson avisava:
“Não podemos copiar e revelar uma lembrança.”
Durante
as atividades da disciplina de Estudos Sociais, várias vezes me
percebi buscando memórias.
Quando
queremos demonstrar comprovar lembranças e recordações, nos
valemos inicialmente de fotografias e objetos.
Recordações
podem surgir em um repente, fruto da memória involuntária, através
de outros fatores como sabores, aromas sons e imagens.
A
forma como tratamos a fotografia, o olhar de quem fotografa ou se
quer fotografar. O tratamento de descarte que damos a imagem que não
nos satisfez, torna a fotografia um recurso histórico tão
manipulável quanto nossos livros didáticos. Fotografias tem um
diferencial que vai além dos sentimentos e emoções que nos causam.
Elas podem, para o coletivo demonstrar situações reais.
Vestimentas, senários de natureza, senários de situações
cotidianas comprovam costumes e necessidades de uma época.
De
qualquer modo a fotografia encanta, é uma arte e demonstra o olhar
de seu autor, pode transbordar curiosidade, sentimentos bons ou
ruins.
Refletindo
como tratamos nossas fotografias, percebo que existe um grupo pequeno
de pessoas que percebem na fotografia a importância do registro de
momentos, fatos e sentimentos.
Não são poucas as situações onde
encontramos, fotografias guardadas em caixas, fechadas armazenadas
sem cuidado, como se fossem estar sempre disponíveis, e permanecesse
com elas “o todo do momento”.
Com
o tempo a fotografia perde o sentido individual ou do grupo, e passa
a ser um registro físico.
Encontrei
nos guardados de minha mãe, fotos de pessoas que nem sei quem são.
Fotografias guardadas em caixas já amareladas e danificadas pelo
tempo. Pessoas com roupas de banho, “meninas” vestidas de noiva,
grupos escolares só de meninos.
Apenas
registro de uma época, o pudor de corpos cobertos, meninas que
casavam cedo onde preferencialmente, apenas os meninos estudavam. Não
sei quem tirou as fotos ou quem são as pessoas ali representadas,
estavam guardadas, se perdeu o sentimento.
Hoje
fotos registram em redes sociais aparências, que seus autores querem
que sejam vistas, sem verdade, registram apenas o que é “permitido”
ser registrado, porém até mesmo estas fotografias de interesse
individual são instrumentos voláteis, descartadas em um clik.
O
tratamento que damos a nossas fotografias não foge ao tratamento que
damos a nossa história seja pessoal ou coletiva. Estamos ainda
aprendendo a preservar, a ter interesse pelo que nos antecede, ao que
nos deu origem ao que nos constrói.
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