Enquanto zapeava com o controle remoto da televisão, encontrei alguns programas sobre educação. Documentários falando sobre a “quarta revolução industrial”, termo utilizado para identificar o fenômeno onde as novas tecnologias estão fundindo o mundo físico, biológico e digital, transformando a maneira
da humanidade se relacionar com o trabalho. Muito mais do que acesso a informação através da internet, uma nova forma de se relacionar com o mundo através da construção de novos hábitos.
Algumas discussões sobre a precariedade da educação brasileira, em comparação com a Finlândia, onde houve uma reforma educacional, colocando todos os alunos em escolas públicas de qualidade.Promovendo a convivência entre os filhos de trabalhadores de todos as classes financeiras, ampliando a visão de mundo e oportunidade de “se colocar no lugar do outro”.
Depois do recesso escolar de julho.Os professores foram recebidos pela equipe diretiva com um mimo: um chá e bolo de pote, com dizeres afetuosos e otimistas: “chá de ânimo” e “tenha um doce retorno”. Um mimo delicado e gentil oferecido aos professores.
Então, como foram recebidos nossos alunos?
Como recebemos nossos alunos? Foi organizado pelos órgãos de participação coletiva o retorno destes estudantes?
Será que acolher de forma fraterna e amorosa, amor no sentido de respeito e tolerância as diferenças, poderia auxiliar no sentimento de pertencimento a escola que tanto falta aos nossos alunos?
Sabemos o quanto ritos de passagem são importantes para todos.
Discussões sobre inovação pedagógica existem, mas não alcançam o avanço desta revolução que acaba por segmentar ainda mais classes sociais.
Leis são sancionadas para a garantia de direitos e inclusão dos estudantes. A implantação deste direito e inclusão, que é apresentada de forma autoritária para os docentes.
Mais importante do que conhecer, saber utilizar ou ter ao alcance as benesses de toda esta tecnologia e inovação é a construção do aluno enquanto sujeito.
Nem menciono aqui a possibilidade de estabelecer uma educação cidadã onde o indivíduo se sinta ativo na sociedade.
Mais importante, é a construção do sujeito, a construção de relações, entender que nos relacionamos de várias formas, em diferentes ambientes, com diferentes pessoas, e também que tipo de relação teremos com toda esta inovação em tecnologia.
Mais importante, é a valorização da vida e do respeito as diferenças.
Mais importante é entender que mudanças acontecem a todo momento e são elas que nos modificam nos constroem nos fortalecem.
Iniciei o texto tentando refletir sobre a necessidade de boas escolas, estrutura de recursos, professores qualificados, e família presente no processo educacional. Ouvindo meus alunos, quando perguntei como eles se sentiram no retorno as aula, e propondo uma reflexão de como foram recebidos na escola, pelos professores e colegas, passei a refletir sobre “o outro”.
O que mais chamou a atenção dos alunos não foi a escola limpa e arrumada, mas a falta de afeto nas relações com os seus pares, a falta de acolhimento pelos próprios colegas de classe. Cada vez mais as relações se tornam agressivas, desrespeitosas e violentas.
Precisamos recriar o significado da escola onde o aluno se sinta atingido e atingindo um objetivo coletivo.

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