terça-feira, 14 de agosto de 2018

Proximidade do Estágio



                     Final de semestre o estágio se aproxima, exercendo a profissão há vinte e poucos anos, de regra deveria estar tranquila.
                Felizmente não é isso que acontece, a docência nos traz o frio na barriga a cada novo desafio, e desafio é coisa que temos constantemente. 
                  Ontem após conversar com uma mãe, sai entristecida, frustrada. 
           A escola encaminhou minha aluna junto com a irmã, gêmea, para avaliação gratuita e conforme a conclusão desta avaliação as meninas receberiam gratuitamente o acompanhamento de profissionais especializado. A mãe biológica das meninas morreu no parto, as meninas passaram por várias situações difíceis, até maus tratos de uma suposta avó. Hoje elas estão com o pai e quem as cuida é a madrasta, que parece amar as meninas. O desempenho escolar das meninas e comprometido, a fala é difícil, elas não retêm informação, não tem noção de número quantidade, até o ano passado nem sabiam que era uma e quem era a outra. A mãe /madrasta da menina disse que não poderia levar as meninas, e não teve jeito. Mesmo depois de tanto tempo na docência estas situações ainda me entristecem.
                Relatei esta situação, porque alguns conceitos e autores que estudei
 no magistério continuam a nos conduzir. Agora no PEAD, percebo que mesmo aprendendo mais sobre os conceitos que permeiam a docência, incluir a crítica epistemológica no desenvolvimento diária das ações docentes, (Becker) vai além da construção de uma prática crítica e embasada. É preciso entender quem somos o que nos constitui, o que pretendemos, que ética estamos praticando. Policiar sim, nas nossas ações em detrimento de nossa fala e dos conceitos que estudamos.
        Hoje parece que desaprendi, desequilibrei (Piaget), me emocionei  (Wallom) procurei alternativas na escola para o tratamento da menina, interagi (Vygotski), as meninas parecem ter alguma situação congênita, até mesmo no formato da face e no desempenho da linguagem (Chomsky). Com muitas atividades repetidas (Skinner) orais e escritas com o nome reconhecem algumas letras do nome.
       Mesmo com a intenção de inovar, percebo minhas aulas tradicionais, me vejo muitas vezes levando o conhecimento aos meus alunos (empirista), exercendo uma pedagogia diretiva. Por vezes, no final do dia frustrada após uma aula desgastante acabo por pensar que não vai mudar, alguns alunos não vão conseguir ou entender, em outras situações vou deixando afinal eles sabem, sozinhos vão aprender é questão de tempo (apriorista), então neste momento exercendo uma pedagogia não diretiva, não interfiro, me retiro.  
      Não desisto, insisto e me torno uma aluna de um curso idealizado para professoras que estão em sala de aula, sem a formação adequada. Faço parte então de uma formação, que muito me orgulho, uma modalidade diferenciada para um público específico (EJA?).
      Volta o medo do estágio, volta o medo da escrita, não existe mais a professora, agora sou aluna. “Isto porque o exercício da docência nunca é estático e permanente; é sempre processo, é mudança, é movimento, é arte, são novas caras novas experiências, novo contexto, novo tempo, novo lugar, novas informações, novos sentimentos, novas interações.” (Cunha,2004).
      E a menina, minha aluna, se atendimento? A menina faz parte da caminhada, terão novas meninas e meninos, outras mães e madrastas. Sigo, estudando querendo entender questionando, querendo saber, sugerindo, buscando possibilidades.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Modelos Epistemológicos e Pedagógicos








Aquisição da Linguagem




Neste semestre  a disciplina de Linguagem e Educação nos convidou para uma reflexão  sobre as teorias de Piaget, Vygtsky , Chonsky e Wallon. Interessante saber que a curiosidade humana a respeito da aquisição e desenvolvimento da linguagem já existia por volta do século VII a.C.
Então no século XIX , surgem estudos sobre a aquisição de  linguagem  e seu desenvolvimento através da análise e observação de filhos de linguistas e estudiosos.
Piaget , entende que a linguagem se estabelece no estádio sensório-motor  interagindo com o pensamento.
Skinner: (defensor da hipótese behaviorista) entende a linguagem por aprendizado por imitação por estímulo-resposta-reforço, “a criança como receptor passivo da linguagem, desprezando seu papel no processo de aprendizagem”  (Demétrio, 2010).
Chomsky: a criança não aprende uma língua ela a desenvolve, e todo ser humano normal é capaz de desenvolver qualquer língua.
Vygotsky: vem apresentar a linguagem como fruto de interação entre o meio e o sujeito onde um articula e altera simultaneamente  outro, não apenas como uma troca com o meio mas o fruto desta simbiose.
Wallon: seguidor de uma posição interacionista entende sujeito  de forma integral corpo e mente , observando cinco campos funcionais: Afetividade, movimento, inteligência , formação do eu (pessoa).
Parece-me que as teoria se completam de forma a não serem  excludentes  uma das outras mas complementares em alguns pontos.
De qualquer modo,o comprometimento com a fala de meus alunos são uma triste realidade, na busca por respostas sobre o que pode ser realizado em sala de aula para o desenvolvimento , encontrei respostas tanto em conceitos de origem orgânica/biológica, inata;   por influência do meio ou questões de desenvolvimento cognitivo. 


Reflexão: Planejamento em busca de caminhos





         A autora, Maria Bernadette Castro Rodrigues analisa sua prática em planejamento escolar, na década de 80. Mergulhada em planos de curso, objetivos operacionais, conteúdos mínimos. Onde o planejamento encarado como  regra  a ser seguida. Cumprido como requisito, entregue na supervisão escolar, descrito nos planos de aula, submersos em justificativas. Atendendo a uma prática mecânica de planejar, em nome de uma “neutralidade”. (Rodrigues,2011 )
     Promover uma prática de planejamento coletivo a autora descobre a importância da fundamentação de suas ideias e reflexões. Imbuída dos conceitos de Danilo Gandim (Planejamento como Prática Educativa – 1985-2ª edição) O que queremos alcançar? A que distância estamos daquilo que queremos alcançar? O que faremos concretamente (em que prazo) para diminuir essa distância?
           Passou a autora a não abandonar a crença que toda ação pedagógica deve estar sustentada por pressupostos teóricos (Rodrigues,2011) . Necessário entender que para m planejamento ocorrer de forma democrática e coletiva algumas ferramentas enquanto formas de integração  podem auxiliar .
Os centros de interesse (Ovide decroly), através do método globalizado orientado por cinco princípios fundamentais: liberdade, individualidade, atividade, intuição, globalização.
Projetos (william Kilpatrick): fundamentalmente levar à escola  o mesmo senso de propósito , desígnio ou projeto realizado na vida ordinárias.
                Pedagogia de Trabalho (Célestin Freneit): Propondo uma organização do trabalho a partir de princípios como vida cooperativa, apropriação dos alunos de sua vida escolar e a organização do ensino através de projetos.
               Tema Gerador (Paulo Freire) : “procurar  tema gerador é procurar o pensamento do homem sobre a realidade e a sua ação sobre esta realidade que está em sua práxis”. Conceituados também por sonia Krammer em temas cíclicos e temas contextualizados.
         Redes temáticas, complexo temático, temas transversais: estabelecidos nos Parâmetros Currículares Nacionais , com a intenção de articular propostas regionais , interesses coletivos e culturais, oportunizando novas práticas docentes.
        Entendidas as possibilidade de articulação que promovem o planejamento coletivo e democrático , existem elementos básicos : objetivo (“o quê” e “para quê”); justificativa (porquê); temática (eixo integrador); estratégias (como); localização; recursos; avaliação. Garantindo sempre o registro das ações.


Pensando sobre planejamento



Tenho me pego pensando sobre a prática do planejamento com frequência.
Quando retornei a sala de aula em 2014, recebi a notícia que teria um dia de planejamento em casa, e mais três períodos de planejamento na escola. Trabalharíamos sábado com maior frequência para suprir os horários com reunião pedagógica, estas seriam mensais e de meio turno. Nos sábados deveríamos trabalhar com os alunos para contar como letivo e fazer o possível para ser um dia de integração entre família e escola.
Junto veio minha angustia quando percebi que na escola que reingressei não havia um Plano de Curso, ou conteúdos mínimos. Fui trabalhar com Projeto Pedagógico Alternativo  e nem sabia o que deveria ser trabalhado. Não havia um momento onde as professoras titulares sugerissem atividades ou habilidades que gostariam que fossem desenvolvidas ou vice e versa.
 O Projeto Político Pedagógico havia sido encaminhado pela Secretaria Municipal de Educação, e deveria ser lido pelos professores e nas reuniões pedagógicas, discutido o que os professores acharem necessário mudar poderia ser encaminhado à solicitação a Secretaria da Educação para análise da possibilidade. Naquele ano também tínhamos que redefinir a forma de avaliação, porém  a média de corte seria 50. Foi então recortada a parte que versava  sobre avaliação, disponibilizada ao professores e a alteração foi realizada pela supervisora da escola.
Tenho pensado que a falta de habilidade de discussão, mesmo com tantas redes, vem crescendo em nossa sociedade.
 Pensar a possibilidade do diferente não quer dizer não aceitar. Discutir as possibilidades, interagir nas decisões, opinar, tomar conhecimento de empecilhos promovem o comprometimento. Ouvir pais, alunos, professores repensar espaços, objetivos, datas. Ter um panorama diagnóstico que parta de diferentes vértices é a base para análise de rumos e objetivos. 
Passo a pensar que planejar de forma democrática exercitando a habilidade dialógica é uma das tarefas a ser praticada.
Agora vem o estágio do PEAD, e meus pensamentos voltam novamente para o planejamento e suas ferramentas.

domingo, 12 de agosto de 2018

Planejar também é caminhada!




Mais do que objetivos operacionais, mecânicos “ o aluno deverá ser capaz de ...” o planejamento demonstra um desejo de transformar o outro. Entender que ao planejar é preciso compartilhar e interagir e aceitar o sujeito e toda sua bagagem social e pessoal.
       O planejamento precisa ser flexível e entender que definir onde queremos chegar é preciso, porém as formas podem ser diferentes. Tenho me deparado com pedidos insistentes da minha equipe diretiva quanto a definição do plano de metas dos alunos com necessidades educacionais especiais. Percebo que os professores definem a chegada o objetivo, mas não se altera o rumo da caminhada respeitando o aluno. Mesmo para os alunos onde se redefine as habilidades e competências, não são traçados novos meios.
             Refletir sobre as palavras de  Maria Isabel H. Dalla Zen e Maria Luisa M. Xavier, quando se referem ao grupo docente de uma determinada instituição:
A discussão conjunta promoveria a explicitação das concepções que permeiam a prática do estabelecimento, podendo incluir-se algumas perguntas orientadoras: como vem sendo organizado o planejamento da escola? Para que se planeja? Para quem?
                Além deste mapeamento, redefinir  os meios e reconhecer as necessidades individuais e coletivas, iram auxiliar na busca por conceitos teóricos unidos a  experiência, reformulando práticas coletivas e construindo objetivos comuns e democráticos da comunidade escolar.


Inovação pedagógica ou tecnologia digital?





     Explorar novas metodologias, aprimorar sua prática, buscar contextualizar os conteúdos com a vivência dos alunos, acredito ser de interesse da maioria dos professores. O que percebo, é um enfrentamento repentino e simultâneo entre mudanças tecnológicas e escola. 
     Nós professores ao tentar utilizar ferramentas tecnológicas e ou possibilidades de compartilhamento de conhecimentos, buscamos como tudo iniciou, como funciona, qual a origem da ferramenta. Nossos alunos apenas a usam exploram e descobrem novas funcionalidades, muitas vezes invertendo nossa "forma de aprender" do mais fácil, para o mais difícil, do inicio para o fim, do concreto para o abstrato. Descobrem alternativas de forma mais intuitivas e aos pares se auxiliam.
      O medo de não saber todas as respostas paralisa professores, e a forma como o conhecimento se multiplica e se apaga  também apavora. O conhecimento perde sua consistência e seu fundamento se torna vulnerável as mudanças constantes. Conforme Cunha:

                                                                       "Essa dimensão é interessante de ser explorada pois  capacidade de correr riscos  se confronta com o imaginário da segurança, que compõe, em geral, a perspectiva que os docentes têm da sua profissão, já que dela decorre uma perspectiva de autoridade. A fuga do risco pode ser uma as causas da dificuldade que alguns professores tem de inovar." (Cunha, 2004)

        Mais que utilizar novas ferramentas tecnológica o professor precisa entender o que está acontecendo com toda a informação que é transmitida e cobrada de seus alunos. Repensar a aprendizagem. Para que servirá? Onde meu aluno vai utilizar? De que forma o conhecimento vai agregar para desenvolvimento individual ou coletivo de meu aluno? 
       Acredito que explorar novas tecnologias, promover a autonomia é sim tarefa da escola, mas não basta uma nova pedagogia que não sabe onde vai. O essencial é entender o universo onde meu aluno está inserido e se estamos em universo mergulhado em redes sociais, ferramentas tecnológicas, dispositivos digitais, também é preciso procurar entender  como nos favorecem estas ferramentas. No meu entendimento, acredito na  tarefa do professor de instigar a pergunta, e a busca das respostas. 

 
Referências Bibliograficas

Cunha, Maria Isabel da . Inovações pedagógicas e a Reconfiguração de saberes no Ensinar e no Aprender na Universidade, VIII Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais - Coimbra 16, 17, 18 de Setembro de 2004.

sábado, 11 de agosto de 2018

Henri Wallon





          Henri Wallon nasceu na França em 1879, foi filósofo, psicólogo, médico e político. Mantendo uma postura interacionista, o pesquisador de psicologia do desenvolvimento à infância, em sua teoria defende a aprendizagem como um processo dialético onde não existem verdades absolutas.
        A criança contextualiza como uma realidade viva e total no conjunto de seus comportamentos, como sujeito completo, onde o  desenvolvimento ocorre nos momentos de conflitos internos e externos, descaracterizando o desenvolvimento linear do sujeito embora os estágios  Impulsivo Emocional, Sensório Motor e Projetivo, Estágio do Personalismo, Estágio Categorial e Estágio da Adolescência estejam presentes em sua teoria.
                Interessante perceber que em sua teoria Wallon estuda a psicogênese da pessoa, integralmente. Nas escolas recebemos pessoas nossos alunos com suas bagagens culturais, psicológicas, sociais com seus medos, ilusões  e desejos. Entender que além do meio as emoções interagem com a aprendizagem.
                   Percebemos diariamente as diferenças que as mesmas crianças apresentam conforme foi seu dia seu final de semana. Também a foma como nos procuram para contar o que lhes acontece, como se estivessem pedindo nossa ajuda ou consentimento. Entre as novas habilidades que nós professores precisamos desenvolver está a sensibilidade de perceber como nosso aluno está emocionalmente para interagir com as atividades que desenvolvemos. 
                        Tenho um aluno que pensa que sua vó é sua mãe. A família criou o  menino no meio desta mentira  e agora não sabe como resolver.  No início do ano quando pretendia fazer um atividade com o nome das crianças simulando uma carteira de identidade, acabei trocando a atividade por conta do menino. Conhecer a história do menino e entender que o assunto da identidade de meu aluno é um assunto que deve ser resolvido e conversado na família e não na escola expondo a criança.  Percebemos assim, conforme descreve Ferreira:  

                                                   Nesse contexto, pensar a educação a partir da teoria walloniana pressupõe uma ruptura nas finalidades formativas dos sistemas educativos atuais. Isso é importante para marcar a posição que a educação não é um processo apenas intelectual, como aponta Gadotti (2000, p. 10), ela visa ao: “Desenvolvimento integral da pessoa: inteligência, sensibilidade, sentido ético e estético, responsabilidade pessoal, espiritualidade, pensamento autônomo e crítico, imaginação, criatividade, iniciativa. Para isso não se deve negligenciar nenhuma das potencialidades de cada indivíduo.”



Referências Bibliográficas
FERREIRA, A. L.; ACIOLY-RÉGNIER, N. M, Contribuições de Henri Wallon à relação cognição e afetividade na educação. Disponível em https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/2448186/mod_resource/content/1/contribuicoes%20Henri%20Wallon.pdf. Acesso em 04 de agosto de 2018.

sábado, 28 de julho de 2018

No final de um dia desses de trabalho...





Valorização profissional, entendemos, afinal nem todos conhecem a rotina de nossa profissão e todas as adversidades que ultrapassamos para realizar nosso trabalho que foi mudando através do tempo e exigem inovações pedagógicas constantes, estudo, cursos, leituras...
Ontem transmitíamos conhecimento, hoje além de apresentar novos conhecimentos, orientamos sem direcionar, tentamos ensinar atitudes de respeito, boa atitudes, palavras mágicas, esperar a vez de falar, tentar se colocar no lugar do coleguinha, não chutar, empurrar ou bater, além de noções básicas de higiene (escovar os dentes ou ir sozinho ao banheiro).
 Lidamos com o medo dos nossos alunos, que ficam sozinhos em casa, ainda pequenos vem os pais se separando, sentem medo quando vem padrastos e madrastas  colocados como substitutos de pais ou mães. Que nos pedem socorro através do olhar, dos desenhos e de seus relatos.
 Sentimo-nos impotentes quando descobrimos maus tratos, pedofilia, fome, falta de casa, falta de mãe, falta de pai, desamor. Perdemos alunos para droga, para a violência, para as estatísticas.
Por acreditar estarem protegendo seu filhote às famílias ensinam então, em casa, a lei do retorno ou a defesa prévia: “Bater para não apanhar”.
Pais e avós estão trabalhando. O neoliberalismo exige mulheres e homens produzindo, para comprar o básico que uma família necessita, ou em algumas situações comprar as “necessidades” da infância do século XXI.
Encaminhados para as escolas, obrigatoriamente conforme exige à legislação, os alunos são acomodados 200 dias letivos, 800 horas aulas. Cumprindo a determinação constitucional de uma educação democrática e para todos, nossos alunos são deixados no portão. Agora é com os professores! Além do que, bons profissionais resolvem seus problemas de sala de aula sozinhos!
De todas as profissões a docência, é a que todos têm um “jeito” melhor para exercer. Muito engraçado afinal com tantas alternativas e sugestões milagrosas, ainda recebemos alunos violentos agressivos, que não sabe fazer amigos, conviver em grupo, desenvolver atividades de forma coletiva. 
As crianças chegam à escola de várias formas, cansadas por ter saído muito cedo de casa. Estão em uma rotina estafante, é escolinha, van, aula de idiomas, violão, dança ou futebol. Estão com fome porque acordaram muito perto da hora de ir para escola e não deu tempo de almoçar ou tomar café, com sono porque dormiram muito tarde assistindo vídeos, encantados por celulares e jogos eletrônicos. 
A tal educação que deveria vir de casa está dissimulada nas vontades e liberdade de escolha para crianças ainda muito pequenas, que não tem como medir a consequências de suas escolhas.
Violência na escola acaba se tornando coisa banal, afinal violência é um ato instintivo, e acaba por se tornar uma atitude corriqueira, quando as pessoas desconhecem a conversa e o exercício da convivência em grupo.
Nós professores estamos acostumados, há dias difíceis, violentos, procuramos retribuir com amor, civilidade e paciência a atitudes de falta de respeito, de violência, de agressividade por parte de pais e alunos. Não podemos desestabilizar perder o controle. Enfrentamos as mais variadas formas de desrespeito com nossa profissão.
Angustia-nos e fica pesado demais quando o desrespeito vem dos pares. Quando nossas atitudes são colocadas à prova por colegas, quando vimos nossos colegas serem colocados à prova, quando o questionamento vem de quem deveria estar ao nosso lado.
 Nossa categoria é batalhadora, sonhadora. O exercício da docência que tanto nos encanta, porque gostamos de pessoas, acreditamos no ser humano e sonhamos com uma sociedade mais humana, também nos separa.
Somos presunçosos por natureza, acreditamos que poderemos ensinar, orientar,  mudar o mundo, afinal para isso estudamos tanto.
Temos dias difíceis, mas como todas as colegas de profissão, já disseram no final de algum dia de trabalho:
Se não fosse por meus alunos, eu não voltaria!
Amo o que faço! Faço porque quero!
                                             

terça-feira, 26 de junho de 2018

Psicogênese Escrita dos Adultos




Durante a unidade 2 da disciplina Educação de Jovens e adultos no Brasil, refletimos sobre a psicogênese da escrita dos adultos e suas semelhanças e diferenças quanto à escrita das crianças.  Para adultos de grandes metrópoles não existir palavras com menos de três letras, as letras não poderia repetir na palavra, não existe o uso de artigos dentre outra características.            Demonstra um estágio evolutivo da construção da escrita se compararmos com as crianças.  
  Ocorrer apenas garatujas já não é o comum, considerando todo o contato que se aluno adulto tenha com a escrita, mesmo que apenas sob o “olhar”. Já a criança geralmente está iniciando o seu perceber, além de sua caminhada ser mais curta para desenvolver suas hipóteses, também seu tempo de permanência nessas hipóteses vai se estabelecendo conforme o contato, as inferências e o significado que este processo terá para ela.
 Observando em uma entrevista que fiz com uma docente que trabalha com crianças e adultos, já faz 30 anos. Quando perguntei como se  sentia a diferença  em dar aulas para as crianças e para os adultos. Ela me disse:
- As crianças eu vou auxiliando a descobrir coisas novas, os adultos eu  vou auxiliando a encontrar dentro deles o que foi perdido, é preciso auxiliá-los  a cavoucar em suas mentes o que já tinham conhecimento mas que darão um novo significado.
Creio que considerando tais situações trazer a realidade de vida dos alunos para dentro da sala de aula, promover o contato significativo com o mundo da escrita faz toda a diferença na construção da alfabetização e letramento.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Construindo novas histórias



Durante este semestre, a oportunidade de estudar sobre Linguagem na Educação fez com que eu ratificasse minha postura enquanto alfabetizadora. O objetivo de alfabetizar, e orientar no processo de construção da escrita passa pela capacidade de comunicação e uso da linguagem de meus alunos.
Também percebi que algumas características da linguagem em crianças de três ou quatro anos ainda são encontradas em alguns dos meus alunos. Que a capacidade de organizar as palavras na frase oralmente e comunicar recados são desafios para algumas crianças já no segundo ano do ensino fundamental.
 Li várias vezes o texto de Montoya - 2006, tentando entender a posição de Vygotsky e Piaget quanto à estruturação da linguagem e pensamento, estes estudos estão fazendo com que eu tenha a certeza que promover a comunicação e a oralidade nas minhas aulas vão proporcionar aos meus alunos o desenvolvimento no processo de alfabetização e letramento, bem mais significativo que apenas reproduções ou cópias sistematizadas de símbolos. 


quarta-feira, 20 de junho de 2018

EU o PEAD e a EJA



Tenho pensado na minha caminhada de estudante que se confunde com minha caminhada profissional já que o professor é um eterno estudante.
Sempre fui fascinada pelo mundo do conhecimento, porém com certa dificuldade nos bancos escolares.
Quando cursei o ensino fundamental, este se chamava primeiro grau, tive duas repetências na quarta e na quinta série. De acordo com minha professora de quarta série eu comia muitas letras, trocava o “ss” por ‘Ç”, não sabia colocar o “m” e o “n” e também não usava o “s” corretamente trocando pelo “z”.
Melhor seria que eu permanecesse mais um ano na quarta série, já que passar para quinto ano significaria trocar para uma escola maior, seriam muitas mudança, além do que a escola que eu estudava tinha um nome a zelar e não poderia encaminhar para outra escola uma aluna fraca.
 Quando cheguei à quinta série, realmente era muita mudança, amigos novos, mais  professores, uma escola enorme disciplinas separadas , um professor para cada disciplina, muitas regras gramaticais e eu não entendia nenhuma. Rodei novamente.
 Estudei até a oitava séria no diurno, comecei  trabalhar, passei para noite no primeiro ano do segundo grau, então parei de estudar aos dezesseis anos. Casei aos dezessete.
Aos 19 anos comecei novamente a estudar, agora casada e sem trabalhar, iniciei o magistério três anos, mais o estágio de seis meses. Engravidei e tive minha filha aos vinte anos, mesmo assim continuei estudando, tinha o apoio de minha mãe, uma bolsa integral de estudos em uma escola particular. Conclui o magistério em 1992, iniciei como docente da Prefeitura Municipal de Canoas em 1996.
Várias vezes tentei cursar a faculdade, na verdade por três vezes e tive que parar, por motivos financeiros, por engravidar novamente, por não ter como quem deixar os filhos.
Fiz todo este relato por que ao refletir sobre a modalidade EJA, me sinto assim uma aluna da EJA. Uma EJA diferente, eu  estou na UFRGS, parece que desta vez vou conseguir.
De qualquer modo refletindo sobre minha trajetória e a modalidade de ensino, percebo que estou em um curso diferenciado para um público específico, balizado pelo comprometimento que os nossos professores tem  na formação de profissionais qualificados, e na responsabilidade que temos de carregar em nosso currículo o nome de uma instituição  como a UFRGS.
 Assistindo aos vídeos sobre a modalidade EJA na alfabetização de adultos, ouvindo os depoimentos, me enxerguei. É muito importante para mim, mesmo faltando apenas cinco anos para aposentadoria, tirar da minha identificação profissional na intranet a classificação “não graduada”. Tive ótimas oportunidades na administração pública trabalhei, com projetos de arrecadação financeira, viajei conhecendo a realidade da arrecadação fiscal de outros municípios, fui por onze anos assessora técnica de uma das maiores secretarias do município. Não quis ficar! Pedi para sair, precisava continuar minha “alfabetização docente”.  
A realização pessoal que o PEAD me proporciona cada vez que me imagino concluindo a graduação, penso que se assemelha ao adulto, que carrega suas angustias e amarguras com o processo escolar excludente a caba por se alfabetizar em uma turma de EJA. Gratidão aos professores, satisfação pessoal, reconhecimento profissional,  coragem e muita alegria.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Participação Seminário Estadual do FEPAD






A proposta do seminário era a Politica de Formação inicial e Continuada de Professores uma discussão no contexto nacional com os painelistas Nilson Cardoso (FORPIBID – Fortaleza ), Maria Beatriz Luce (UFRGS – Porto Alegre) e Josenilda Maués (FORPARFOR – Paraná ). Durante a manhã foi exposta um arrazoado da situação do PIBID , PAFOR também fomos convidados a refletir e não descuidar sobre a forma que estamos fazendo política, “ é a forma de fazer e estabelecer a política que dá credibilidade à ela”  (fala de Maria Beatriz Luce). Também a professora Beatriz nos chamou a atenção para a necessidade de darmos outro significado a  palavra Base; quanto a articulação que precisa acontecer entre  sistemas de modo a  sustentar  politica educacional, projetos ...
A  professora Marijane (UFRGS),  além de nos contar um pouco sobre a constituição do FEPAD – Fórum Estadual Permanente de Apoio à Formação Docente, também  apresentou uma plataforma chamada CultivEduca,  que demonstra o quadro de formação dos professores no país. Com esta plataforma podemos encontrar nossa escola e verificar qual o quadro de formação dos docentes  de nossa escola.
                Entre as salas temáticas escolhi sobre a BNCC - Base Nacional Comum Curricular que rendeu muitas discussões, uma vez que nos foi apresentada a plataforma que apresenta a possibilidade de sugerir propostas para compor o ReferencialCurricular Gaúcho, assunto que renderá outra postagem.
                De qualquer modo, quis fazer uma postagem sobre esta participação,  foi um dia muito gratificante, enquanto estudante de pedagogia e professora de instituição pública. Ouvir   professores engajados na formação de outros professores, preocupados com a qualificação e qualidade da educação, conhecer com quem participa e faz diferença na história da educação no pais  me trouxe energia e vontade de continuar.  
                Agradeço a oportunidade e o convite a Professora Rosane Aragon (PEAD- Porto Alegre), que nos encaminhou o linck  para a inscrição através do Moodle.


domingo, 25 de março de 2018




Março e novas aprendizagens

Entramos em um novo semestre, março chegou trazendo muito significado nas aprendizagens. Iniciei VII semestre no PEAD,  um curo sobre tecnologias para educação -  Educadores Google,  outro  sobre educação sustentável  Ecoativos e também tive minha primeira reunião com o Núcleo de Estudos sobre Tecnologias Educacionais  - Grupo NETE e também me atrevi  a participar como monitora no PEAD. Percebo cada vez mais importante a consolidação das tecnologias digitais na minha prática  docente. Apesar da dificuldade em entender o funcionamento de toda esta tecnologia, e  como todas estas ferramentas são intuitivas. Diante de uma sociedade que a cada dia se conecta  estabelecendo laços através do virtual, nós professores precisamos estabelecer nossas práticas  na realidade de nossos alunos. Aperfeiçoar o uso do tempo, promover à construção coletiva, a pesquisa, a análise das informações que serão transformadas em conhecimento são também minhas metas para este semestre.  Conforme José Moram: O primeiro passo e o mais importante é o da mudança mental, da mudança cultural, mostrando que estas novas formas de aprender fazem mais sentido, que os alunos se engajam mais e obtêm melhores resultados. O trabalho de sensibilização com exemplos concretos é fundamental. (Moram,2016).
Atender as expectativas de meus alunos quanto ao uso da tecnologia no laboratório de informática e ir além dos jogos instalados ainda é um desafio. 

Referências Bibliográficas

Moram, José, Texto atualizado do livro A Educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá.Cap. 6. 6a Reimpressão. Campinas: Papirus, 2016. Páginas 145-165. 

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Desafiar





         Desafiar

        Neste momento participando da seleção para monitoria, tenho como propósito aprender com a troca.
        Estou me desafiando, a tecnologia da comunicação muito me fascina, estabelecer condições que promovam minha experiências dentro desta área contribuirá para meu crescimento profissional. De acordo com Pedro Demo, no vídeo que escolhi para a atividade, o aluno que exercita,  pratica e tem iniciativa aprende melhor.(Demo,2010).