Valorização profissional, entendemos, afinal nem todos conhecem
a rotina de nossa profissão e todas as adversidades que ultrapassamos para
realizar nosso trabalho que foi mudando através do tempo e exigem inovações
pedagógicas constantes, estudo, cursos, leituras...
Ontem transmitíamos conhecimento,
hoje além de apresentar novos conhecimentos, orientamos sem direcionar, tentamos
ensinar atitudes de respeito, boa atitudes, palavras mágicas, esperar a vez de
falar, tentar se colocar no lugar do coleguinha, não chutar, empurrar ou bater,
além de noções básicas de higiene (escovar os dentes ou ir sozinho ao banheiro).
Lidamos com o medo dos nossos alunos, que
ficam sozinhos em casa, ainda pequenos vem os pais se separando, sentem medo
quando vem padrastos e madrastas colocados como substitutos de pais ou mães. Que
nos pedem socorro através do olhar, dos desenhos e de seus relatos.
Sentimo-nos impotentes quando descobrimos maus
tratos, pedofilia, fome, falta de casa, falta de mãe, falta de pai, desamor.
Perdemos alunos para droga, para a violência, para as estatísticas.
Por acreditar estarem protegendo seu
filhote às famílias ensinam então, em casa, a lei do retorno ou a defesa
prévia: “Bater para não apanhar”.
Pais e avós estão trabalhando. O neoliberalismo
exige mulheres e homens produzindo, para comprar o básico que uma família necessita,
ou em algumas situações comprar as “necessidades” da infância do século XXI.
Encaminhados para as escolas, obrigatoriamente
conforme exige à legislação, os alunos são acomodados 200 dias letivos, 800
horas aulas. Cumprindo a determinação constitucional de uma educação
democrática e para todos, nossos alunos são deixados no portão. Agora é com os
professores! Além do que, bons profissionais resolvem seus problemas de sala de
aula sozinhos!
De todas as profissões a docência, é a
que todos têm um “jeito” melhor para exercer. Muito engraçado afinal com tantas
alternativas e sugestões milagrosas, ainda recebemos alunos violentos
agressivos, que não sabe fazer amigos, conviver em grupo, desenvolver
atividades de forma coletiva.
As crianças chegam à escola de várias
formas, cansadas por ter saído muito cedo de casa. Estão em uma rotina
estafante, é escolinha, van, aula de idiomas, violão, dança ou futebol. Estão com
fome porque acordaram muito perto da hora de ir para escola e não deu tempo de
almoçar ou tomar café, com sono porque dormiram muito tarde assistindo vídeos,
encantados por celulares e jogos eletrônicos.
A tal educação que deveria vir de
casa está dissimulada nas vontades e liberdade de escolha para crianças ainda
muito pequenas, que não tem como medir a consequências de suas escolhas.
Violência na escola acaba se tornando
coisa banal, afinal violência é um ato instintivo, e acaba por se tornar uma
atitude corriqueira, quando as pessoas desconhecem a conversa e o exercício da
convivência em grupo.
Nós professores estamos acostumados,
há dias difíceis, violentos, procuramos retribuir com amor, civilidade e
paciência a atitudes de falta de respeito, de violência, de agressividade por
parte de pais e alunos. Não podemos desestabilizar perder o controle. Enfrentamos
as mais variadas formas de desrespeito com nossa profissão.
Angustia-nos e fica pesado demais
quando o desrespeito vem dos pares. Quando nossas atitudes são colocadas à
prova por colegas, quando vimos nossos colegas serem colocados à prova, quando
o questionamento vem de quem deveria estar ao nosso lado.
Nossa categoria é batalhadora, sonhadora. O
exercício da docência que tanto nos encanta, porque gostamos de pessoas,
acreditamos no ser humano e sonhamos com uma sociedade mais humana, também nos
separa.
Somos presunçosos por natureza, acreditamos
que poderemos ensinar, orientar, mudar o
mundo, afinal para isso estudamos tanto.
Temos dias difíceis, mas como todas
as colegas de profissão, já disseram no final de algum dia de trabalho:
Se não fosse por meus alunos, eu não
voltaria!
Amo o que faço! Faço porque quero!




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