sábado, 28 de julho de 2018

No final de um dia desses de trabalho...





Valorização profissional, entendemos, afinal nem todos conhecem a rotina de nossa profissão e todas as adversidades que ultrapassamos para realizar nosso trabalho que foi mudando através do tempo e exigem inovações pedagógicas constantes, estudo, cursos, leituras...
Ontem transmitíamos conhecimento, hoje além de apresentar novos conhecimentos, orientamos sem direcionar, tentamos ensinar atitudes de respeito, boa atitudes, palavras mágicas, esperar a vez de falar, tentar se colocar no lugar do coleguinha, não chutar, empurrar ou bater, além de noções básicas de higiene (escovar os dentes ou ir sozinho ao banheiro).
 Lidamos com o medo dos nossos alunos, que ficam sozinhos em casa, ainda pequenos vem os pais se separando, sentem medo quando vem padrastos e madrastas  colocados como substitutos de pais ou mães. Que nos pedem socorro através do olhar, dos desenhos e de seus relatos.
 Sentimo-nos impotentes quando descobrimos maus tratos, pedofilia, fome, falta de casa, falta de mãe, falta de pai, desamor. Perdemos alunos para droga, para a violência, para as estatísticas.
Por acreditar estarem protegendo seu filhote às famílias ensinam então, em casa, a lei do retorno ou a defesa prévia: “Bater para não apanhar”.
Pais e avós estão trabalhando. O neoliberalismo exige mulheres e homens produzindo, para comprar o básico que uma família necessita, ou em algumas situações comprar as “necessidades” da infância do século XXI.
Encaminhados para as escolas, obrigatoriamente conforme exige à legislação, os alunos são acomodados 200 dias letivos, 800 horas aulas. Cumprindo a determinação constitucional de uma educação democrática e para todos, nossos alunos são deixados no portão. Agora é com os professores! Além do que, bons profissionais resolvem seus problemas de sala de aula sozinhos!
De todas as profissões a docência, é a que todos têm um “jeito” melhor para exercer. Muito engraçado afinal com tantas alternativas e sugestões milagrosas, ainda recebemos alunos violentos agressivos, que não sabe fazer amigos, conviver em grupo, desenvolver atividades de forma coletiva. 
As crianças chegam à escola de várias formas, cansadas por ter saído muito cedo de casa. Estão em uma rotina estafante, é escolinha, van, aula de idiomas, violão, dança ou futebol. Estão com fome porque acordaram muito perto da hora de ir para escola e não deu tempo de almoçar ou tomar café, com sono porque dormiram muito tarde assistindo vídeos, encantados por celulares e jogos eletrônicos. 
A tal educação que deveria vir de casa está dissimulada nas vontades e liberdade de escolha para crianças ainda muito pequenas, que não tem como medir a consequências de suas escolhas.
Violência na escola acaba se tornando coisa banal, afinal violência é um ato instintivo, e acaba por se tornar uma atitude corriqueira, quando as pessoas desconhecem a conversa e o exercício da convivência em grupo.
Nós professores estamos acostumados, há dias difíceis, violentos, procuramos retribuir com amor, civilidade e paciência a atitudes de falta de respeito, de violência, de agressividade por parte de pais e alunos. Não podemos desestabilizar perder o controle. Enfrentamos as mais variadas formas de desrespeito com nossa profissão.
Angustia-nos e fica pesado demais quando o desrespeito vem dos pares. Quando nossas atitudes são colocadas à prova por colegas, quando vimos nossos colegas serem colocados à prova, quando o questionamento vem de quem deveria estar ao nosso lado.
 Nossa categoria é batalhadora, sonhadora. O exercício da docência que tanto nos encanta, porque gostamos de pessoas, acreditamos no ser humano e sonhamos com uma sociedade mais humana, também nos separa.
Somos presunçosos por natureza, acreditamos que poderemos ensinar, orientar,  mudar o mundo, afinal para isso estudamos tanto.
Temos dias difíceis, mas como todas as colegas de profissão, já disseram no final de algum dia de trabalho:
Se não fosse por meus alunos, eu não voltaria!
Amo o que faço! Faço porque quero!
                                             

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