sábado, 28 de novembro de 2015



 

Crianças de Rua

Em uma das aulas sobre infância a professora comentou sobre a criação de um estatuto da infância, sobre as diferentes infâncias, sobre olhar de cuidado e proteção sobre a criança e o quanto isto é recente. Lembrei de uma conversa que tivemos em casa. Minha filha que tem 25 anos, contou aos irmãos (Guilherme de 20 vinte e Henrique 16 dezesseis anos) que quando era criança passava comigo por alguma criança de rua, e queria sempre que eu trouxesse a criança para casa. Meu filho menor, perguntou: 
- Como criança de rua?

Bem não é o fato de perguntar em que pais ele vive, que não sabe que existem crianças em situação de vulnerabilidade, mas de prestar atenção nas políticas públicas que retiraram as crianças das ruas, de que forma e em que proporção elas ainda existem. Refletindo sobre o assunto meu filho de dezesseis anos concluiu que só via nas ruas crianças indígenas, velhos mendigos e usuários de drogas jovens ou adultos, mas não via crianças sozinhas. Fiquei com o assunto na cabeça e tentei lembrar como era quando eu era criança a quarenta anos atrás, lembrei do quanto era comum crianças sozinhas pedirem comida na nossa porta, eu morava em uma rua movimentada da cidade. Estas crianças que antes viviam na rua, foram acomodadas em abrigos, hoje se alimentam na escola, participam do convívio com outras crianças e o dever das famílias foi subsidiado pelo estado, de forma precária e ineficaz pois não existe eficácia na substituição de laços de afeto.




Meu primeiro contato com a Psicologia


Quando era menina ouvia meus pais, falando a respeito das atitudes e discurso de minha vizinha, quanto a educação do filho, que era uma pessoa muito próxima a minha família. Ela tinha um filho apenas, era uma pessoa com um pouco mais de estudo que meus pais, seu esposo era aposentado da aeronáutica, isto faz em torno de 40 anos. Era uma pessoa muito acolhedora, seu filho tinha um microscópio, muitos bichos em vidros, muitos livros eu adorava e era onde procurava recursos para meus trabalhos escolares.
Quando ela dava sua opinião ou conversava comigo e minha irmã, meus pais muito enciumados perguntavam o que ela havia conversado conosco, onde é que se viu vir com esta coisa de o pediatra disse, o psicólogo falou.
 Foi como descobri que havia uma certa “psicologia” na fala das pessoas. Para mim ficou a impressão de que meu pai tinha uma bronca do tal psicólogo. Então, hoje meu pai tem 82 anos está lúcido e consciente continua com bronca do psicólogo. Nas aulas de psicologia estou descobrindo que meu pai não sabe o quanto ele concorda com as orientações dos psicólogos e pediatras. Tenho muito orgulho do meus pais que mesmo sem estudo nos deram uma criação baseada no amor, na confiança e na conversa.
Quando tinha um bebê chorando ele perguntava: É  fome? Está sujo? Não tem dor? E então dizia:
 - Conversa com ele, criança gosta de conversa, não de grito, eles entendem. Ele vai aprender o que ”tu fizer”.
 E assim não tínhamos bebê chorando no colo de meu pai. Todas as sobrinhas e depois os netos iam para o colo dele, quando ninguém mais conseguia acalmar ele dava um jeito. Ele nos ensinou a dançar em cima dos pés dele, a fazer conta de cabeça, a ir e vir da escola, atravessar a rua, nos explicou o que é menstruação, a dirigir, fazia conta para saber quando os sobrinhos nasceriam, ajudou a cuidar de mim e de minha irmã  após o parto de nossos filhos, a plantar temperos e verduras que cultivava em pequenos espaços. Meu pai é o filho mais moço de cinco irmãs, até os quinze anos, andava de carroça com minha avó, atendendo as mulheres que entravam em trabalho de parto, minha vó foi umas das primeiras parteiras da nossa cidade, o que contribuiu muito para que ele entendesse o mundo feminino. Hoje com 82 anos ele mora com sua esposa de 83 anos, sozinhos. Cuida dela que está com Alzheimer, e sempre elogiado pelos médicos nos cuidados que tem com ela. Cada vez que estudo um pouco mais sobre psicologia percebo que ele usa muito as teorias do subconsciente, que tem noção dos mecanismos de defesa, e já fez muitas sessões de psicanálise sem saber. As aulas de psicologia me mostraram o quanto os conhecimentos empíricos do meu pai estão de acordo com as teorias de Freud, mesmo xingando muito os “tais” psicólogos.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015



Durante as aulas de História nos foi apresentado o tratamento que a educação formal recebeu em nosso país. Refletindo a respeito do que li, consigo perceber que estamos muito além de uma educação ideal. Reformas, documentos e leis que hoje permeiam a educação que são apresentadas como o “descobrimento da roda”, já foram escritos e também subutilizados.
 Estamos em constante transição de propósito da escola. Os alunos não querem estar na escola, para a aprendizagem que a escola oferece. Os pais precisam da escola como local para acomodar seus filhos. As escolas  não são escolhidas pela família, mas imposta pelo estado. O que antes as famílias tentavam considerar para matricular seus filhos, hoje não é mais relevante, a formação e valores que a instituição oferece é substituída pela proximidade da residência.