Meu primeiro contato com a Psicologia
Quando era
menina ouvia meus pais, falando a respeito das atitudes e discurso de minha
vizinha, quanto a educação do filho, que era uma pessoa muito próxima a minha
família. Ela tinha um filho apenas, era uma pessoa com um pouco mais de estudo
que meus pais, seu esposo era aposentado da aeronáutica, isto faz em torno de
40 anos. Era uma pessoa muito acolhedora, seu filho tinha um microscópio,
muitos bichos em vidros, muitos livros eu adorava e era onde procurava recursos
para meus trabalhos escolares.
Quando ela
dava sua opinião ou conversava comigo e minha irmã, meus pais muito enciumados
perguntavam o que ela havia conversado conosco, onde é que se viu vir com esta
coisa de o pediatra disse, o psicólogo falou.
Foi como descobri que havia uma
certa “psicologia” na fala das pessoas. Para mim ficou a impressão de que meu
pai tinha uma bronca do tal psicólogo. Então, hoje meu pai tem 82 anos está
lúcido e consciente continua com bronca do psicólogo. Nas aulas de psicologia estou
descobrindo que meu pai não sabe o quanto ele concorda com as orientações dos
psicólogos e pediatras. Tenho muito orgulho do meus pais que mesmo sem estudo
nos deram uma criação baseada no amor, na confiança e na conversa.
Quando
tinha um bebê chorando ele perguntava: É fome? Está sujo? Não tem dor?
E então dizia:
- Conversa com ele, criança gosta de conversa, não de grito, eles
entendem. Ele vai aprender o que ”tu fizer”.
E assim não tínhamos bebê chorando
no colo de meu pai. Todas as sobrinhas e depois os netos iam para o colo dele,
quando ninguém mais conseguia acalmar ele dava um jeito. Ele nos ensinou a
dançar em cima dos pés dele, a fazer conta de cabeça, a ir e vir da escola,
atravessar a rua, nos explicou o que é menstruação, a dirigir, fazia conta para
saber quando os sobrinhos nasceriam, ajudou a cuidar de mim e de minha irmã após o parto de nossos filhos, a plantar
temperos e verduras que cultivava em pequenos espaços. Meu pai é o filho mais
moço de cinco irmãs, até os quinze anos, andava de carroça com minha avó,
atendendo as mulheres que entravam em trabalho de parto, minha vó foi umas das primeiras
parteiras da nossa cidade, o que contribuiu muito para que ele entendesse o
mundo feminino. Hoje com 82 anos ele mora com sua esposa de 83 anos, sozinhos.
Cuida dela que está com Alzheimer, e sempre elogiado pelos médicos nos cuidados
que tem com ela. Cada vez que estudo um pouco mais sobre psicologia percebo que
ele usa muito as teorias do subconsciente, que tem noção dos mecanismos de
defesa, e já fez muitas sessões de psicanálise sem saber. As aulas de psicologia me mostraram o quanto os conhecimentos empíricos
do meu pai estão de acordo com as teorias de Freud, mesmo xingando muito os “tais”
psicólogos.

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