Crianças de Rua
Em uma das
aulas sobre infância a professora comentou sobre a criação de um estatuto da
infância, sobre as diferentes infâncias, sobre olhar de cuidado e proteção
sobre a criança e o quanto isto é recente. Lembrei de uma conversa que tivemos
em casa. Minha filha que tem 25 anos, contou aos irmãos (Guilherme de 20 vinte
e Henrique 16 dezesseis anos) que quando era criança passava comigo por alguma
criança de rua, e queria sempre que eu trouxesse a criança para casa. Meu filho
menor, perguntou:
- Como criança de rua?
Bem não é o
fato de perguntar em que pais ele vive, que não sabe que existem crianças em
situação de vulnerabilidade, mas de prestar atenção nas políticas públicas que
retiraram as crianças das ruas, de que forma e em que proporção elas ainda
existem. Refletindo sobre o assunto meu filho de dezesseis anos concluiu que só
via nas ruas crianças indígenas, velhos mendigos e usuários de drogas jovens ou
adultos, mas não via crianças sozinhas. Fiquei com o assunto na cabeça e tentei
lembrar como era quando eu era criança a quarenta anos atrás, lembrei do quanto
era comum crianças sozinhas pedirem comida na nossa porta, eu morava em uma rua
movimentada da cidade. Estas crianças que antes viviam na rua, foram acomodadas
em abrigos, hoje se alimentam na escola, participam do convívio com outras
crianças e o dever das famílias foi subsidiado pelo estado, de forma precária e
ineficaz pois não existe eficácia na substituição de laços de afeto.

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