Final de semestre o estágio se aproxima, exercendo a
profissão há vinte e poucos anos, de regra deveria estar tranquila.
Felizmente não é isso que
acontece, a docência nos traz o frio na barriga a cada novo desafio, e desafio
é coisa que temos constantemente.
Ontem após conversar com uma mãe, sai
entristecida, frustrada.
A escola encaminhou
minha aluna junto com a irmã, gêmea, para avaliação gratuita e conforme a
conclusão desta avaliação as meninas receberiam gratuitamente o acompanhamento
de profissionais especializado. A mãe biológica das meninas morreu no parto, as
meninas passaram por várias situações difíceis, até maus tratos de uma suposta
avó. Hoje elas estão com o pai e quem as cuida é a madrasta, que parece amar as
meninas. O desempenho escolar das meninas e comprometido, a fala é difícil, elas
não retêm informação, não tem noção de número quantidade, até o ano passado nem
sabiam que era uma e quem era a outra. A mãe /madrasta da menina disse que não
poderia levar as meninas, e não teve jeito. Mesmo depois de tanto tempo na docência
estas situações ainda me entristecem.
Relatei
esta situação, porque alguns conceitos e autores que estudei
no magistério
continuam a nos conduzir. Agora no PEAD, percebo que mesmo aprendendo mais
sobre os conceitos que permeiam a docência, incluir a crítica epistemológica no
desenvolvimento diária das ações docentes, (Becker) vai além da construção de
uma prática crítica e embasada. É preciso entender quem somos o que nos
constitui, o que pretendemos, que ética estamos praticando. Policiar sim, nas
nossas ações em detrimento de nossa fala e dos conceitos que estudamos.
Hoje parece que desaprendi, desequilibrei
(Piaget), me emocionei (Wallom) procurei
alternativas na escola para o tratamento da menina, interagi (Vygotski), as
meninas parecem ter alguma situação congênita, até mesmo no formato da face e
no desempenho da linguagem (Chomsky). Com muitas atividades repetidas (Skinner)
orais e escritas com o nome reconhecem algumas letras do nome.
Mesmo com a
intenção de inovar, percebo minhas aulas tradicionais, me vejo muitas vezes
levando o conhecimento aos meus alunos (empirista), exercendo uma pedagogia
diretiva. Por vezes, no final do dia frustrada após uma aula desgastante acabo
por pensar que não vai mudar, alguns alunos não vão conseguir ou entender, em
outras situações vou deixando afinal eles sabem, sozinhos vão aprender é
questão de tempo (apriorista), então neste momento exercendo uma pedagogia não
diretiva, não interfiro, me retiro.
Não desisto,
insisto e me torno uma aluna de um curso idealizado para professoras que estão em
sala de aula, sem a formação adequada. Faço parte então de uma formação, que
muito me orgulho, uma modalidade diferenciada para um público específico (EJA?).
Volta o medo
do estágio, volta o medo da escrita, não existe mais a professora, agora sou
aluna. “Isto porque o exercício da docência nunca é estático e permanente; é
sempre processo, é mudança, é movimento, é arte, são novas caras novas
experiências, novo contexto, novo tempo, novo lugar, novas informações, novos
sentimentos, novas interações.” (Cunha,2004).
E a menina,
minha aluna, se atendimento? A menina faz parte da caminhada, terão novas
meninas e meninos, outras mães e madrastas. Sigo, estudando querendo entender
questionando, querendo saber, sugerindo, buscando possibilidades.



