terça-feira, 14 de agosto de 2018

Proximidade do Estágio



                     Final de semestre o estágio se aproxima, exercendo a profissão há vinte e poucos anos, de regra deveria estar tranquila.
                Felizmente não é isso que acontece, a docência nos traz o frio na barriga a cada novo desafio, e desafio é coisa que temos constantemente. 
                  Ontem após conversar com uma mãe, sai entristecida, frustrada. 
           A escola encaminhou minha aluna junto com a irmã, gêmea, para avaliação gratuita e conforme a conclusão desta avaliação as meninas receberiam gratuitamente o acompanhamento de profissionais especializado. A mãe biológica das meninas morreu no parto, as meninas passaram por várias situações difíceis, até maus tratos de uma suposta avó. Hoje elas estão com o pai e quem as cuida é a madrasta, que parece amar as meninas. O desempenho escolar das meninas e comprometido, a fala é difícil, elas não retêm informação, não tem noção de número quantidade, até o ano passado nem sabiam que era uma e quem era a outra. A mãe /madrasta da menina disse que não poderia levar as meninas, e não teve jeito. Mesmo depois de tanto tempo na docência estas situações ainda me entristecem.
                Relatei esta situação, porque alguns conceitos e autores que estudei
 no magistério continuam a nos conduzir. Agora no PEAD, percebo que mesmo aprendendo mais sobre os conceitos que permeiam a docência, incluir a crítica epistemológica no desenvolvimento diária das ações docentes, (Becker) vai além da construção de uma prática crítica e embasada. É preciso entender quem somos o que nos constitui, o que pretendemos, que ética estamos praticando. Policiar sim, nas nossas ações em detrimento de nossa fala e dos conceitos que estudamos.
        Hoje parece que desaprendi, desequilibrei (Piaget), me emocionei  (Wallom) procurei alternativas na escola para o tratamento da menina, interagi (Vygotski), as meninas parecem ter alguma situação congênita, até mesmo no formato da face e no desempenho da linguagem (Chomsky). Com muitas atividades repetidas (Skinner) orais e escritas com o nome reconhecem algumas letras do nome.
       Mesmo com a intenção de inovar, percebo minhas aulas tradicionais, me vejo muitas vezes levando o conhecimento aos meus alunos (empirista), exercendo uma pedagogia diretiva. Por vezes, no final do dia frustrada após uma aula desgastante acabo por pensar que não vai mudar, alguns alunos não vão conseguir ou entender, em outras situações vou deixando afinal eles sabem, sozinhos vão aprender é questão de tempo (apriorista), então neste momento exercendo uma pedagogia não diretiva, não interfiro, me retiro.  
      Não desisto, insisto e me torno uma aluna de um curso idealizado para professoras que estão em sala de aula, sem a formação adequada. Faço parte então de uma formação, que muito me orgulho, uma modalidade diferenciada para um público específico (EJA?).
      Volta o medo do estágio, volta o medo da escrita, não existe mais a professora, agora sou aluna. “Isto porque o exercício da docência nunca é estático e permanente; é sempre processo, é mudança, é movimento, é arte, são novas caras novas experiências, novo contexto, novo tempo, novo lugar, novas informações, novos sentimentos, novas interações.” (Cunha,2004).
      E a menina, minha aluna, se atendimento? A menina faz parte da caminhada, terão novas meninas e meninos, outras mães e madrastas. Sigo, estudando querendo entender questionando, querendo saber, sugerindo, buscando possibilidades.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Modelos Epistemológicos e Pedagógicos








Aquisição da Linguagem




Neste semestre  a disciplina de Linguagem e Educação nos convidou para uma reflexão  sobre as teorias de Piaget, Vygtsky , Chonsky e Wallon. Interessante saber que a curiosidade humana a respeito da aquisição e desenvolvimento da linguagem já existia por volta do século VII a.C.
Então no século XIX , surgem estudos sobre a aquisição de  linguagem  e seu desenvolvimento através da análise e observação de filhos de linguistas e estudiosos.
Piaget , entende que a linguagem se estabelece no estádio sensório-motor  interagindo com o pensamento.
Skinner: (defensor da hipótese behaviorista) entende a linguagem por aprendizado por imitação por estímulo-resposta-reforço, “a criança como receptor passivo da linguagem, desprezando seu papel no processo de aprendizagem”  (Demétrio, 2010).
Chomsky: a criança não aprende uma língua ela a desenvolve, e todo ser humano normal é capaz de desenvolver qualquer língua.
Vygotsky: vem apresentar a linguagem como fruto de interação entre o meio e o sujeito onde um articula e altera simultaneamente  outro, não apenas como uma troca com o meio mas o fruto desta simbiose.
Wallon: seguidor de uma posição interacionista entende sujeito  de forma integral corpo e mente , observando cinco campos funcionais: Afetividade, movimento, inteligência , formação do eu (pessoa).
Parece-me que as teoria se completam de forma a não serem  excludentes  uma das outras mas complementares em alguns pontos.
De qualquer modo,o comprometimento com a fala de meus alunos são uma triste realidade, na busca por respostas sobre o que pode ser realizado em sala de aula para o desenvolvimento , encontrei respostas tanto em conceitos de origem orgânica/biológica, inata;   por influência do meio ou questões de desenvolvimento cognitivo. 


Reflexão: Planejamento em busca de caminhos





         A autora, Maria Bernadette Castro Rodrigues analisa sua prática em planejamento escolar, na década de 80. Mergulhada em planos de curso, objetivos operacionais, conteúdos mínimos. Onde o planejamento encarado como  regra  a ser seguida. Cumprido como requisito, entregue na supervisão escolar, descrito nos planos de aula, submersos em justificativas. Atendendo a uma prática mecânica de planejar, em nome de uma “neutralidade”. (Rodrigues,2011 )
     Promover uma prática de planejamento coletivo a autora descobre a importância da fundamentação de suas ideias e reflexões. Imbuída dos conceitos de Danilo Gandim (Planejamento como Prática Educativa – 1985-2ª edição) O que queremos alcançar? A que distância estamos daquilo que queremos alcançar? O que faremos concretamente (em que prazo) para diminuir essa distância?
           Passou a autora a não abandonar a crença que toda ação pedagógica deve estar sustentada por pressupostos teóricos (Rodrigues,2011) . Necessário entender que para m planejamento ocorrer de forma democrática e coletiva algumas ferramentas enquanto formas de integração  podem auxiliar .
Os centros de interesse (Ovide decroly), através do método globalizado orientado por cinco princípios fundamentais: liberdade, individualidade, atividade, intuição, globalização.
Projetos (william Kilpatrick): fundamentalmente levar à escola  o mesmo senso de propósito , desígnio ou projeto realizado na vida ordinárias.
                Pedagogia de Trabalho (Célestin Freneit): Propondo uma organização do trabalho a partir de princípios como vida cooperativa, apropriação dos alunos de sua vida escolar e a organização do ensino através de projetos.
               Tema Gerador (Paulo Freire) : “procurar  tema gerador é procurar o pensamento do homem sobre a realidade e a sua ação sobre esta realidade que está em sua práxis”. Conceituados também por sonia Krammer em temas cíclicos e temas contextualizados.
         Redes temáticas, complexo temático, temas transversais: estabelecidos nos Parâmetros Currículares Nacionais , com a intenção de articular propostas regionais , interesses coletivos e culturais, oportunizando novas práticas docentes.
        Entendidas as possibilidade de articulação que promovem o planejamento coletivo e democrático , existem elementos básicos : objetivo (“o quê” e “para quê”); justificativa (porquê); temática (eixo integrador); estratégias (como); localização; recursos; avaliação. Garantindo sempre o registro das ações.


Pensando sobre planejamento



Tenho me pego pensando sobre a prática do planejamento com frequência.
Quando retornei a sala de aula em 2014, recebi a notícia que teria um dia de planejamento em casa, e mais três períodos de planejamento na escola. Trabalharíamos sábado com maior frequência para suprir os horários com reunião pedagógica, estas seriam mensais e de meio turno. Nos sábados deveríamos trabalhar com os alunos para contar como letivo e fazer o possível para ser um dia de integração entre família e escola.
Junto veio minha angustia quando percebi que na escola que reingressei não havia um Plano de Curso, ou conteúdos mínimos. Fui trabalhar com Projeto Pedagógico Alternativo  e nem sabia o que deveria ser trabalhado. Não havia um momento onde as professoras titulares sugerissem atividades ou habilidades que gostariam que fossem desenvolvidas ou vice e versa.
 O Projeto Político Pedagógico havia sido encaminhado pela Secretaria Municipal de Educação, e deveria ser lido pelos professores e nas reuniões pedagógicas, discutido o que os professores acharem necessário mudar poderia ser encaminhado à solicitação a Secretaria da Educação para análise da possibilidade. Naquele ano também tínhamos que redefinir a forma de avaliação, porém  a média de corte seria 50. Foi então recortada a parte que versava  sobre avaliação, disponibilizada ao professores e a alteração foi realizada pela supervisora da escola.
Tenho pensado que a falta de habilidade de discussão, mesmo com tantas redes, vem crescendo em nossa sociedade.
 Pensar a possibilidade do diferente não quer dizer não aceitar. Discutir as possibilidades, interagir nas decisões, opinar, tomar conhecimento de empecilhos promovem o comprometimento. Ouvir pais, alunos, professores repensar espaços, objetivos, datas. Ter um panorama diagnóstico que parta de diferentes vértices é a base para análise de rumos e objetivos. 
Passo a pensar que planejar de forma democrática exercitando a habilidade dialógica é uma das tarefas a ser praticada.
Agora vem o estágio do PEAD, e meus pensamentos voltam novamente para o planejamento e suas ferramentas.

domingo, 12 de agosto de 2018

Planejar também é caminhada!




Mais do que objetivos operacionais, mecânicos “ o aluno deverá ser capaz de ...” o planejamento demonstra um desejo de transformar o outro. Entender que ao planejar é preciso compartilhar e interagir e aceitar o sujeito e toda sua bagagem social e pessoal.
       O planejamento precisa ser flexível e entender que definir onde queremos chegar é preciso, porém as formas podem ser diferentes. Tenho me deparado com pedidos insistentes da minha equipe diretiva quanto a definição do plano de metas dos alunos com necessidades educacionais especiais. Percebo que os professores definem a chegada o objetivo, mas não se altera o rumo da caminhada respeitando o aluno. Mesmo para os alunos onde se redefine as habilidades e competências, não são traçados novos meios.
             Refletir sobre as palavras de  Maria Isabel H. Dalla Zen e Maria Luisa M. Xavier, quando se referem ao grupo docente de uma determinada instituição:
A discussão conjunta promoveria a explicitação das concepções que permeiam a prática do estabelecimento, podendo incluir-se algumas perguntas orientadoras: como vem sendo organizado o planejamento da escola? Para que se planeja? Para quem?
                Além deste mapeamento, redefinir  os meios e reconhecer as necessidades individuais e coletivas, iram auxiliar na busca por conceitos teóricos unidos a  experiência, reformulando práticas coletivas e construindo objetivos comuns e democráticos da comunidade escolar.


Inovação pedagógica ou tecnologia digital?





     Explorar novas metodologias, aprimorar sua prática, buscar contextualizar os conteúdos com a vivência dos alunos, acredito ser de interesse da maioria dos professores. O que percebo, é um enfrentamento repentino e simultâneo entre mudanças tecnológicas e escola. 
     Nós professores ao tentar utilizar ferramentas tecnológicas e ou possibilidades de compartilhamento de conhecimentos, buscamos como tudo iniciou, como funciona, qual a origem da ferramenta. Nossos alunos apenas a usam exploram e descobrem novas funcionalidades, muitas vezes invertendo nossa "forma de aprender" do mais fácil, para o mais difícil, do inicio para o fim, do concreto para o abstrato. Descobrem alternativas de forma mais intuitivas e aos pares se auxiliam.
      O medo de não saber todas as respostas paralisa professores, e a forma como o conhecimento se multiplica e se apaga  também apavora. O conhecimento perde sua consistência e seu fundamento se torna vulnerável as mudanças constantes. Conforme Cunha:

                                                                       "Essa dimensão é interessante de ser explorada pois  capacidade de correr riscos  se confronta com o imaginário da segurança, que compõe, em geral, a perspectiva que os docentes têm da sua profissão, já que dela decorre uma perspectiva de autoridade. A fuga do risco pode ser uma as causas da dificuldade que alguns professores tem de inovar." (Cunha, 2004)

        Mais que utilizar novas ferramentas tecnológica o professor precisa entender o que está acontecendo com toda a informação que é transmitida e cobrada de seus alunos. Repensar a aprendizagem. Para que servirá? Onde meu aluno vai utilizar? De que forma o conhecimento vai agregar para desenvolvimento individual ou coletivo de meu aluno? 
       Acredito que explorar novas tecnologias, promover a autonomia é sim tarefa da escola, mas não basta uma nova pedagogia que não sabe onde vai. O essencial é entender o universo onde meu aluno está inserido e se estamos em universo mergulhado em redes sociais, ferramentas tecnológicas, dispositivos digitais, também é preciso procurar entender  como nos favorecem estas ferramentas. No meu entendimento, acredito na  tarefa do professor de instigar a pergunta, e a busca das respostas. 

 
Referências Bibliograficas

Cunha, Maria Isabel da . Inovações pedagógicas e a Reconfiguração de saberes no Ensinar e no Aprender na Universidade, VIII Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais - Coimbra 16, 17, 18 de Setembro de 2004.

sábado, 11 de agosto de 2018

Henri Wallon





          Henri Wallon nasceu na França em 1879, foi filósofo, psicólogo, médico e político. Mantendo uma postura interacionista, o pesquisador de psicologia do desenvolvimento à infância, em sua teoria defende a aprendizagem como um processo dialético onde não existem verdades absolutas.
        A criança contextualiza como uma realidade viva e total no conjunto de seus comportamentos, como sujeito completo, onde o  desenvolvimento ocorre nos momentos de conflitos internos e externos, descaracterizando o desenvolvimento linear do sujeito embora os estágios  Impulsivo Emocional, Sensório Motor e Projetivo, Estágio do Personalismo, Estágio Categorial e Estágio da Adolescência estejam presentes em sua teoria.
                Interessante perceber que em sua teoria Wallon estuda a psicogênese da pessoa, integralmente. Nas escolas recebemos pessoas nossos alunos com suas bagagens culturais, psicológicas, sociais com seus medos, ilusões  e desejos. Entender que além do meio as emoções interagem com a aprendizagem.
                   Percebemos diariamente as diferenças que as mesmas crianças apresentam conforme foi seu dia seu final de semana. Também a foma como nos procuram para contar o que lhes acontece, como se estivessem pedindo nossa ajuda ou consentimento. Entre as novas habilidades que nós professores precisamos desenvolver está a sensibilidade de perceber como nosso aluno está emocionalmente para interagir com as atividades que desenvolvemos. 
                        Tenho um aluno que pensa que sua vó é sua mãe. A família criou o  menino no meio desta mentira  e agora não sabe como resolver.  No início do ano quando pretendia fazer um atividade com o nome das crianças simulando uma carteira de identidade, acabei trocando a atividade por conta do menino. Conhecer a história do menino e entender que o assunto da identidade de meu aluno é um assunto que deve ser resolvido e conversado na família e não na escola expondo a criança.  Percebemos assim, conforme descreve Ferreira:  

                                                   Nesse contexto, pensar a educação a partir da teoria walloniana pressupõe uma ruptura nas finalidades formativas dos sistemas educativos atuais. Isso é importante para marcar a posição que a educação não é um processo apenas intelectual, como aponta Gadotti (2000, p. 10), ela visa ao: “Desenvolvimento integral da pessoa: inteligência, sensibilidade, sentido ético e estético, responsabilidade pessoal, espiritualidade, pensamento autônomo e crítico, imaginação, criatividade, iniciativa. Para isso não se deve negligenciar nenhuma das potencialidades de cada indivíduo.”



Referências Bibliográficas
FERREIRA, A. L.; ACIOLY-RÉGNIER, N. M, Contribuições de Henri Wallon à relação cognição e afetividade na educação. Disponível em https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/2448186/mod_resource/content/1/contribuicoes%20Henri%20Wallon.pdf. Acesso em 04 de agosto de 2018.