Na
última aula presencial Seminário Integrador III, o professor
Crediné lançou um desafio, que me faz refletir sobre minhas
práticas, não só como educadora, em sala de aula, mas como mãe e
cidadã.
Em
um momento histórico, onde a maioria elegeu a Presidente do país, e
a minoria encabeça seu processo de destituição. Não estou
querendo discussão partidária ou ideológica. Acho que este exemplo
cabe para refletirmos sobre nossa noção de avaliação, baseada
pela maioria, seja ela qual for.
Quando,
há quinze anos trabalhava com alfabetização, com turmas de trinta
alunos e tinha o objetivo de alfabetizar “a maioria da turma”,
uma vez que a totalidade era algo “impossível”. Hoje trabalho
com turma reduzida a 18 alunos e continuo com alguns casos
“impossíveis”, até mesmo em função dos casos ditos
impossíveis as turmas, são reduzidas.
Bom,
esses impossíveis constituem uma minoria que não terá o mesmo
rendimento ou aproveitamento dos tantos outros alunos.
Independente
de minoria ou não constituem a sala de aula e tem diretos e
condições de aprender, faram a diferença nas suas famílias, na
sua comunidade no ambiente social que viverem. Nós professores,
teremos a mesma responsabilidade na parcela de educação que nos
cabe, para a maioria e também para a minoria.
Coisas
de mãe, falar para os filhos: “Não é porque os outros fazem
que você tem que fazer”. Ótimo, não é mesmo? Enquanto mãe
educo meus filhos de acordo com o que acredito dentro dos meus
preceitos de conduta na vida.
Então,
enquanto educadora, o que me faz pensar que é pela maioria que
devemos conduzir a aprendizagem? Levando em consideração que a
educação será mesma para todos, que alguns conseguem outros não,
seria a lógica da maioria a mais fácil de conduzir. A lógica da
maioria prevalesse enquanto a escola tem o objetivo de formação
única, onde os alunos atingem um básico mínimo dentro de uma faixa
etária.
Os
demais alunos aqueles que não atingem o objetivo , ou mesmo aqueles
que vão além das expectativas constituem a minoria. Uma minoria
carente de atenção, uma minoria que impulsiona os professores na
busca de melhores práticas, uma minoria que está abrindo o portão
das escolas, buscando acessibilidade, desacomodando os acomodados e
principalmente buscando aceitabilidade (legitimidade, pertinência).
No
decorrer da semana, a Equipe Diretiva da minha escola solicitou que
eu trocasse minhas aulas com o 8º e 9º ano, por aulas com as
turmas do 3º ano. Ocorre que a professora de Português, que dava
aulas, no terceiro ano, não se adaptou com as turmas, já que existe
uma minoria que ainda não sabe ler. Novamente a minoria mudando a
vida das pessoas.
Penso
que estabelecer critérios, pontos de partida e chegada com a
aprendizagem baliza nosso planejamento e não devemos abolir a
esperança de dar a todos condições de aprendizagem de forma
igualitária. O que precisamos é nos dar conta que a minoria
impulsiona, faz a diferença, transforma.
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