domingo, 15 de maio de 2016

A minoria que desafia


      Na última aula presencial Seminário Integrador III, o professor Crediné lançou um desafio, que me faz refletir sobre minhas práticas, não só como educadora, em sala de aula, mas como mãe e cidadã.
      Em um momento histórico, onde a maioria elegeu a Presidente do país, e a minoria encabeça seu processo de destituição. Não estou querendo discussão partidária ou ideológica. Acho que este exemplo cabe para refletirmos sobre nossa noção de avaliação, baseada pela maioria, seja ela qual for.
     Quando, há quinze anos trabalhava com alfabetização, com turmas de trinta alunos e tinha o objetivo de alfabetizar “a maioria da turma”, uma vez que a totalidade era algo “impossível”. Hoje trabalho com turma reduzida a 18 alunos e continuo com alguns casos “impossíveis”, até mesmo em função dos casos ditos impossíveis as turmas, são reduzidas.
    Bom, esses impossíveis constituem uma minoria que não terá o mesmo rendimento ou aproveitamento dos tantos outros alunos.
        Independente de minoria ou não constituem a sala de aula e tem diretos e condições de aprender, faram a diferença nas suas famílias, na sua comunidade no ambiente social que viverem. Nós professores, teremos a mesma responsabilidade na parcela de educação que nos cabe, para a maioria e também para a minoria.
       Coisas de mãe, falar para os filhos: “Não é porque os outros fazem que você tem que fazer”. Ótimo, não é mesmo? Enquanto mãe educo meus filhos de acordo com o que acredito dentro dos meus preceitos de conduta na vida.
      Então, enquanto educadora, o que me faz pensar que é pela maioria que devemos conduzir a aprendizagem? Levando em consideração que a educação será mesma para todos, que alguns conseguem outros não, seria a lógica da maioria a mais fácil de conduzir. A lógica da maioria prevalesse enquanto a escola tem o objetivo de formação única, onde os alunos atingem um básico mínimo dentro de uma faixa etária.
      Os demais alunos aqueles que não atingem o objetivo , ou mesmo aqueles que vão além das expectativas constituem a minoria. Uma minoria carente de atenção, uma minoria que impulsiona os professores na busca de melhores práticas, uma minoria que está abrindo o portão das escolas, buscando acessibilidade, desacomodando os acomodados e principalmente buscando aceitabilidade (legitimidade, pertinência).
       No decorrer da semana, a Equipe Diretiva da minha escola solicitou que eu trocasse minhas aulas com o 8º e 9º ano, por aulas com as turmas do 3º ano. Ocorre que a professora de Português, que dava aulas, no terceiro ano, não se adaptou com as turmas, já que existe uma minoria que ainda não sabe ler. Novamente a minoria mudando a vida das pessoas.


      Penso que estabelecer critérios, pontos de partida e chegada com a aprendizagem baliza nosso planejamento e não devemos abolir a esperança de dar a todos condições de aprendizagem de forma igualitária. O que precisamos é nos dar conta que a minoria impulsiona, faz a diferença, transforma.

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