terça-feira, 26 de junho de 2018

Psicogênese Escrita dos Adultos




Durante a unidade 2 da disciplina Educação de Jovens e adultos no Brasil, refletimos sobre a psicogênese da escrita dos adultos e suas semelhanças e diferenças quanto à escrita das crianças.  Para adultos de grandes metrópoles não existir palavras com menos de três letras, as letras não poderia repetir na palavra, não existe o uso de artigos dentre outra características.            Demonstra um estágio evolutivo da construção da escrita se compararmos com as crianças.  
  Ocorrer apenas garatujas já não é o comum, considerando todo o contato que se aluno adulto tenha com a escrita, mesmo que apenas sob o “olhar”. Já a criança geralmente está iniciando o seu perceber, além de sua caminhada ser mais curta para desenvolver suas hipóteses, também seu tempo de permanência nessas hipóteses vai se estabelecendo conforme o contato, as inferências e o significado que este processo terá para ela.
 Observando em uma entrevista que fiz com uma docente que trabalha com crianças e adultos, já faz 30 anos. Quando perguntei como se  sentia a diferença  em dar aulas para as crianças e para os adultos. Ela me disse:
- As crianças eu vou auxiliando a descobrir coisas novas, os adultos eu  vou auxiliando a encontrar dentro deles o que foi perdido, é preciso auxiliá-los  a cavoucar em suas mentes o que já tinham conhecimento mas que darão um novo significado.
Creio que considerando tais situações trazer a realidade de vida dos alunos para dentro da sala de aula, promover o contato significativo com o mundo da escrita faz toda a diferença na construção da alfabetização e letramento.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Construindo novas histórias



Durante este semestre, a oportunidade de estudar sobre Linguagem na Educação fez com que eu ratificasse minha postura enquanto alfabetizadora. O objetivo de alfabetizar, e orientar no processo de construção da escrita passa pela capacidade de comunicação e uso da linguagem de meus alunos.
Também percebi que algumas características da linguagem em crianças de três ou quatro anos ainda são encontradas em alguns dos meus alunos. Que a capacidade de organizar as palavras na frase oralmente e comunicar recados são desafios para algumas crianças já no segundo ano do ensino fundamental.
 Li várias vezes o texto de Montoya - 2006, tentando entender a posição de Vygotsky e Piaget quanto à estruturação da linguagem e pensamento, estes estudos estão fazendo com que eu tenha a certeza que promover a comunicação e a oralidade nas minhas aulas vão proporcionar aos meus alunos o desenvolvimento no processo de alfabetização e letramento, bem mais significativo que apenas reproduções ou cópias sistematizadas de símbolos. 


quarta-feira, 20 de junho de 2018

EU o PEAD e a EJA



Tenho pensado na minha caminhada de estudante que se confunde com minha caminhada profissional já que o professor é um eterno estudante.
Sempre fui fascinada pelo mundo do conhecimento, porém com certa dificuldade nos bancos escolares.
Quando cursei o ensino fundamental, este se chamava primeiro grau, tive duas repetências na quarta e na quinta série. De acordo com minha professora de quarta série eu comia muitas letras, trocava o “ss” por ‘Ç”, não sabia colocar o “m” e o “n” e também não usava o “s” corretamente trocando pelo “z”.
Melhor seria que eu permanecesse mais um ano na quarta série, já que passar para quinto ano significaria trocar para uma escola maior, seriam muitas mudança, além do que a escola que eu estudava tinha um nome a zelar e não poderia encaminhar para outra escola uma aluna fraca.
 Quando cheguei à quinta série, realmente era muita mudança, amigos novos, mais  professores, uma escola enorme disciplinas separadas , um professor para cada disciplina, muitas regras gramaticais e eu não entendia nenhuma. Rodei novamente.
 Estudei até a oitava séria no diurno, comecei  trabalhar, passei para noite no primeiro ano do segundo grau, então parei de estudar aos dezesseis anos. Casei aos dezessete.
Aos 19 anos comecei novamente a estudar, agora casada e sem trabalhar, iniciei o magistério três anos, mais o estágio de seis meses. Engravidei e tive minha filha aos vinte anos, mesmo assim continuei estudando, tinha o apoio de minha mãe, uma bolsa integral de estudos em uma escola particular. Conclui o magistério em 1992, iniciei como docente da Prefeitura Municipal de Canoas em 1996.
Várias vezes tentei cursar a faculdade, na verdade por três vezes e tive que parar, por motivos financeiros, por engravidar novamente, por não ter como quem deixar os filhos.
Fiz todo este relato por que ao refletir sobre a modalidade EJA, me sinto assim uma aluna da EJA. Uma EJA diferente, eu  estou na UFRGS, parece que desta vez vou conseguir.
De qualquer modo refletindo sobre minha trajetória e a modalidade de ensino, percebo que estou em um curso diferenciado para um público específico, balizado pelo comprometimento que os nossos professores tem  na formação de profissionais qualificados, e na responsabilidade que temos de carregar em nosso currículo o nome de uma instituição  como a UFRGS.
 Assistindo aos vídeos sobre a modalidade EJA na alfabetização de adultos, ouvindo os depoimentos, me enxerguei. É muito importante para mim, mesmo faltando apenas cinco anos para aposentadoria, tirar da minha identificação profissional na intranet a classificação “não graduada”. Tive ótimas oportunidades na administração pública trabalhei, com projetos de arrecadação financeira, viajei conhecendo a realidade da arrecadação fiscal de outros municípios, fui por onze anos assessora técnica de uma das maiores secretarias do município. Não quis ficar! Pedi para sair, precisava continuar minha “alfabetização docente”.  
A realização pessoal que o PEAD me proporciona cada vez que me imagino concluindo a graduação, penso que se assemelha ao adulto, que carrega suas angustias e amarguras com o processo escolar excludente a caba por se alfabetizar em uma turma de EJA. Gratidão aos professores, satisfação pessoal, reconhecimento profissional,  coragem e muita alegria.