sábado, 28 de maio de 2016




Música com a turma


       Acredito nos benefícios da música durante a aula.
       Mesmo sabendo que devo aprimorar meus conhecimentos na área, me arrisco, penso que a música além de favorecer o ambiente da aprendizagem é carregada de emoção.
       Minha turma de 2º ano pede para que eu coloque música durante as atividades. Quando realizo atividades cantadas com eles a participação e total, os alunos se entregam plenamente a atividade.
       Um dos momentos mais fantásticos com minha turma foi durante a vista a Casa de Cultura Mario Quintana em Porto Alegre, estávamos descendo, as estreitas escadas do antigo Hotel, ouvindo a Banda de Porto Alegre tocar - O Trem das Onze - Adoniran Barbosa. No final das escadarias estava a Banda toda dourada. Meus alunos olhavam maravilhados em silêncio, admirados observando os músicos. 
         Uma de minhas alunas (Júlia de seis anos) disse:
         - “Profe” isso é a coisa mais linda que já ví em toda minha vida!
          E cantando, bem baixinho, o Trem das onze, tentando acompanhar os instrumentos me falou que era a música que seu avozinho cantava a noite.
          Também  levei-os até o Theatro São Pedro para acompanhar os Concertos para Juventude Banrisul, assistiram de camarote a orquestra.
           Trabalhamos o livro de poemas cantados de Jairo Luiz de Souza, gaúcho e canoense, O Carteiro, realizamos atividade de desenho, ordenamento da história, escrita de cartas para o autor, mandaram postais através do Correio para suas casas, em junho no aniversário da cidade. Então quando foi a vez de estudar sobre a profissão do carteiro foi uma festa. Realizamos apresentação dos alunos cantando para o autor Jairo Luiz de Souza, no dia do Autor na Escola – Projeto Fome de Ler, da Secretaria Municipal de Educação de Canoas, em novembro de 2015. Todos caracterizados com roupas de carteiro,. Foi muito prazeroso.
            Também nossa apresentação para o dia das mães foi uma música.

            

     

Usando a tecnologia a favor dos alunos




     Neste ano, perdemos o professor de Geografia, que foi assumir uma chefia em outra secretaria. Este professor além das aulas de geografia, também era responsável pelas aulas de Ensino Religioso no 8ª e 9º ano.      Assim dividi com minha colega, ela ficou com Geografia e eu com Ensino Religioso. Até iniciar o Mais Educação, pois ficarei como professora comunitária.
      Conversei com os alunos e fiz uma atividade para saber que assuntos eles gostariam de tratar em minhas aulas. Tínhamos um período por semana.
      Pensando melhor após uma aula de Seminário Integrador III, tive a ideia de trabalhar com os alunos no laboratório de informática, mostrando como poderíamos usar o Google Drive em benefício dos alunos.
     Ocorre que os professores, da minha escola, estavam conversando na sala de professores sobre a dificuldade da participação dos alunos nos trabalhos em grupo que iam como atividade de casa.
Então propus aos alunos a formação de grupos virtuais para que eles pudessem, realizar atividades através do Google Drive, como uma alternativa para concluir os trabalhos. As duas turmas concordaram e começamos as atividades.
         Formamos grupos com quatro alunos, cada um, os grupos foram escolhidos por eles.
Distribui revistas e pedi que cada grupo escolhesse um reportagem ou propaganda. Depois de escolhida apresentaram suas escolhas ao grande grupo e o motivo que os levou a escolha. Eles precisavam convencer o grande grupo que seria interessante saber sobre o assunto escolhido. As reportagens ou propagandas deveriam ser analisadas quanto ao assunto, ao público que se destinava, as cores utilizadas, ao vocabulário usado, a imagem e demais aspectos.
         Depois pedi um e-mail de cada grupo, assim as escolhas foram escaneadas e encaminhadas para cada gestor do seu grupo, que teria a responsabilidade de auxiliar os demais na criação dos seus e-mails e encaminhar o material escaneado. Não deu muito certo, nem todos criaram seus e-mails ou receberam dos seus gestores.
         Então levei todos a sala e vídeo, usei a lousa digital, o sinal Wi-Fi da escola não estava funcionando, roteei do meu celular e mostrei a todos como funcionava a ferramenta Google drive. Demorou bastante para dar oportunidade a todos de cadastrarem o primeiro grupo piloto.
Mesmo assim nem todos os alunos ainda tinham conseguido acessar, alguns não sabiam fazer seu e-mail.
Na próxima aula levei todos ao laboratório de informática e uns ajudando os outros criamos e-mail do Gmail para todos.
        Infelizmente tive que parar com a atividade, pois a professora do terceiro ano pediu para trocar de turma comigo, pois não estava se adaptando aos alunos menores do terceiro ano.
       De qualquer modo acredito que os alunos estavam gostando da atividade, e utilizaram os computadores da escola para atividades diferentes das que estão acostumados. O uso da se restringe a jogos.
       Esta atividade me mostrou o quanto ainda preciso me apropriar da tecnologia da informação para direcionar melhor as aulas. Afinal com um pouco de boa vontade, planejamento e paciência podemos tornar as aulas mais condizentes com a realidade.

domingo, 15 de maio de 2016

A minoria que desafia


      Na última aula presencial Seminário Integrador III, o professor Crediné lançou um desafio, que me faz refletir sobre minhas práticas, não só como educadora, em sala de aula, mas como mãe e cidadã.
      Em um momento histórico, onde a maioria elegeu a Presidente do país, e a minoria encabeça seu processo de destituição. Não estou querendo discussão partidária ou ideológica. Acho que este exemplo cabe para refletirmos sobre nossa noção de avaliação, baseada pela maioria, seja ela qual for.
     Quando, há quinze anos trabalhava com alfabetização, com turmas de trinta alunos e tinha o objetivo de alfabetizar “a maioria da turma”, uma vez que a totalidade era algo “impossível”. Hoje trabalho com turma reduzida a 18 alunos e continuo com alguns casos “impossíveis”, até mesmo em função dos casos ditos impossíveis as turmas, são reduzidas.
    Bom, esses impossíveis constituem uma minoria que não terá o mesmo rendimento ou aproveitamento dos tantos outros alunos.
        Independente de minoria ou não constituem a sala de aula e tem diretos e condições de aprender, faram a diferença nas suas famílias, na sua comunidade no ambiente social que viverem. Nós professores, teremos a mesma responsabilidade na parcela de educação que nos cabe, para a maioria e também para a minoria.
       Coisas de mãe, falar para os filhos: “Não é porque os outros fazem que você tem que fazer”. Ótimo, não é mesmo? Enquanto mãe educo meus filhos de acordo com o que acredito dentro dos meus preceitos de conduta na vida.
      Então, enquanto educadora, o que me faz pensar que é pela maioria que devemos conduzir a aprendizagem? Levando em consideração que a educação será mesma para todos, que alguns conseguem outros não, seria a lógica da maioria a mais fácil de conduzir. A lógica da maioria prevalesse enquanto a escola tem o objetivo de formação única, onde os alunos atingem um básico mínimo dentro de uma faixa etária.
      Os demais alunos aqueles que não atingem o objetivo , ou mesmo aqueles que vão além das expectativas constituem a minoria. Uma minoria carente de atenção, uma minoria que impulsiona os professores na busca de melhores práticas, uma minoria que está abrindo o portão das escolas, buscando acessibilidade, desacomodando os acomodados e principalmente buscando aceitabilidade (legitimidade, pertinência).
       No decorrer da semana, a Equipe Diretiva da minha escola solicitou que eu trocasse minhas aulas com o 8º e 9º ano, por aulas com as turmas do 3º ano. Ocorre que a professora de Português, que dava aulas, no terceiro ano, não se adaptou com as turmas, já que existe uma minoria que ainda não sabe ler. Novamente a minoria mudando a vida das pessoas.


      Penso que estabelecer critérios, pontos de partida e chegada com a aprendizagem baliza nosso planejamento e não devemos abolir a esperança de dar a todos condições de aprendizagem de forma igualitária. O que precisamos é nos dar conta que a minoria impulsiona, faz a diferença, transforma.