Quando
iniciei a leitura do livro, Por uma pedagogia da pergunta? de Paulo Freire e Antônio Faundez, ingenuamente, esperava uma análise psicológica de como a postura do
professor, interfere na maneira que o aluno aprende, ou a
flexibilidade em aceitar os questionamentos dos alunos conduzem uma
aula mais interessante.
Surpresa, me deparei com uma leitura crítica cheia de
posicionamentos políticos, considerando o conhecimento intelectual
científico frente ao conhecimento empírico e a costumes culturais.
Considerando e valorizando saberes, buscando construir
autossuficiência em grupos colonizados, presos por crenças
impostas.
Trechos
da leitura como:
“Sabemos
que a linguagem é de natureza gestual, corporal, é uma linguagem de
movimento de olhos, de movimento do coração. A primeira linguagem é
a. linguagem do corpo e, na medida em que essa linguagem é uma
linguagem de perguntas e na medida em que limitamos essas perguntas e
não ouvimos ou valorizamos senão o que é oral ou escrito, estamos
eliminando grande parte da linguagem humana. Creio ser fundamental
que o professor valorize em toda sua dimensão o que constitui a
linguagem, ou as linguagens, que são linguagens de perguntas antes
de serem linguagens de respostas.”
“...de
que hoje o ensino, o saber, é resposta e não pergunta.”
“A
natureza desafiadora da pergunta tende a ser considerada, na
atmosfera autoritária, como provocação a autoridade.”
“A
questão que se coloca está na compreensão pedagógico-democrática
no ato de propor.”
Me
levam a insatisfação da docência ingenua.
Devemos
ir além de aulas motivadoras. Mais do que uma postura flexível de
aceitar perguntas ou usar perguntas como recurso. Refletir sobre as
perguntas.Buscar entender o contesto que o aluno se encontra.Considerar a curiosidade que existe em cada ato de perguntar. Entender a verdade que está sendo demonstrada na pergunta.
Alfabetização
, letramento e representação de mundo tem a ver com professores e
alunos buscando juntos alternativas para a construção da cidadania.
Um
dos alunos do Projeto Mais Educação, muito inquieto e com poucos
amigos na escola me perguntou:
-
“Profe” quando a senhora era pequena do que tinha medo? Devolvi
perguntei do que ele tinha medo?
Me respondeu que tinha medo de ficar
sozinho. Não queria ficar sozinho em casa. Não queria sair do Mais
Educação.
Fiquei
curiosa e comecei a investigar.
O medo que tinha era de “espíritos”, ele tinha assistido a alguns ritos religiosos, com mortes de
animais e entidades, junto com sa mãe.
Conversei com a mãe, explicando que seria muito
cedo para a participação de uma criança, nestes rituais. Ela me
disse, que era importante que ele participasse, era muito sensitivo e ainda não sabia lidar com sua
potencialidade.
Esta
atitude da mãe estava prejudicando o menino que já não conseguia
nem ficar no silêncio de tanto medo.
Perguntas
vão além de curiosidade, também demostram uma realidade, pedem
ajuda.
Perguntas
ensejam respostas, que nem sempre nós professores estamos preparados
para responder. Perguntas presumem um ato de coragem e
humildade. Coragem em responder, humildade em construir alternativas
possíveis como respostas.
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