quarta-feira, 12 de julho de 2017

Salão UFRGS 2017: XIII SALÃO DE ENSINO DA UFRGS.

Durante a aula presencial de Organização e Gestão da Educação e Organização do Ensino Fundamental, fomos convidadas a participar do processo de seleção para apresentação de trabalhos no Salão UFRGS 2017: XIII SALÃO DE ENSINO DA UFRGS.
Trata-se do texto PEAD e a Docência de uma professora Alfabetizadora, que escrevi e foi revisado pela professora Larisa, postado neste blog.
Já sabia deste processo, mas foi durante a aula presencial que criei coragem de tentar.
Não fui selecionada, mas a coragem acho que continua. 
De qualquer modo a possibilidade de submeter meu texto e ter uma devolutiva motivadora de minha orientadora, foi muito gratificante.  
As disciplinas  Organização e Gestão da Educação e Organização do Ensino Fundamental, auxiliaram a entender um pouco mais todo este processo democrático que está acontecendo nas escolas e era tão diferente quando eu alfabetizava anos atrás.
Muito obrigada equipe do PEAD, sempre disposta a nos motivar e auxiliar a construção de nossa docência. Muito obrigada professora Larisa.
O PEAD e a DOCÊNCIA de uma professora alfabetizadora

Autora: Silvana Garcia
Orientadora: Larisa da Veiga Vieira Bandeira


Fui professora alfabetizadora durante os anos de 1996 até 2003, trabalhando com turmas de primeira série. A tarefa de alfabetizar era minha, ensinar a ler escrever compreender frases e pequenos textos, fazer contas resolver “probleminhas”, testes de leituras realizadas pela supervisora da escola, que dava o aval final para a progressão do aluno para a próxima série. Depois de doze anos de intervalo, volto, a exercer a docência com turmas de primeiro ano em 2015. Agora, a tarefa de alfabetizar os alunos, não é apenas minha. Divido esta tarefa com outras professoras do Bloco de Alfabetização, que trabalham em conjunto por três anos. O entendimento de alfabetização se modifica, e se pensa nela como um processo extensivo para as crianças de seis anos de idade, e que deve contemplar as crianças que estão em salas Atendimento Educacional Especializado (AEE) e/ou escolas especiais, participando ativamente da rotina, incluídas em salas de aula regulares. Eu era então, uma professora alfabetizadora com métodos do século XIX, exercendo a docência no século XXI. Diante deste contexto o PEAD /UFRGS, Curso de Pedagogia na modalidade de educação a distância, que é oferecido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul é fundamental para o processo de minha constituição docente. A formação proposta pelo curso leva a constante reflexão promovendo minha reconstrução e ressignificação e auxilia com suas metodologias interativas a transpor barreiras, apresentadas pelo uso da tecnologia, necessidade de adequação a legislação e principalmente a entender esta relação democrática que se estabelece entre professor e aluno e com a comunidade escolar, pautada pelo respeito e conhecimento. Atualmente ficamos sujeitos na educação ao imediatismo, as informações disponíveis nas mídias são inúmeras, porém, muitas vezes, sem real significado, muita informação pouca sabedoria (Bauman, 2015). Ontem tínhamos objetivos claros, propósitos pré-definidos e determinados e executávamos nossas tarefas, hoje a relatividade e adequação são situações reais e constantes na educação, os planejamentos são coletivos e as decisões devem ser compartilhadas. Um dos conceitos trabalhado no quinto eixo (2017/1), na segunda edição do Curso, na interdisciplina de Gestão e Organização da Educação foi gestão escolar, como qual foi possível refletir sobre as escolas nas quais já trabalhei, onde diretoras eram indicadas e hoje são eleitas. A democracia na gestão escolar se trata de uma conquista, de um exercício diário e é prevista pela Lei de Diretrizes e Bases de 1996, em seu artigo 14. Inicialmente diretores eram indicados, já vi professores eleitos por favores prometidos. Os Órgãos colegiados colaboram para este processo e também estão aprendendo a exercer as suas atribuições. Conselhos Escolares, Grêmios estudantis, Associação de Pais e Mestres compõe uma comunidade envolvida na formação escolar, contribuindo, sugerindo, deliberando, dividindo responsabilidades com o Estado. Cabe lembrar aqui que esta medida de descentralização e autonomia, também reduz gastos públicos e desobriga o Estado (Libâneo – 2007). Espero estarmos caminhando rumo à eleição por competência e habilidade em gestão. Então, após 21 anos exercendo a função de docente no Município, passo a ter conhecimento do que seria a terceirização da Educação infantil, através de escolas infantis, onde o grupo docente é contratado através de associações, sem os direitos adquiridos pelos profissionais da educação. Toda a percepção que estou adquirindo, não seria possível sem esta formação e reciclagem que o PEAD oferece que motiva os professores que estão em sala de aula, diante às dificuldades diárias e de se conhecer como sujeitos, descobrindo suas potencialidades, através de novas ferramentas, de leituras diárias e da sistematização de uma rede de professores capazes de dividir experiências, transpor barreiras, realizar intervenções, refletir, e propor outras estratégias de atuação docente.