domingo, 5 de junho de 2016

Mais que sinais é desenvolver a comunicação, construir relações.



       Meu conhecimento a respeito da Linguagem Brasileira de Sinais, ou contato com pessoas surdas é quase nenhum. Embora exista o curso de LIBRAS gratuito para os funcionários do Município de Canoas, ministrado por docentes do próprio Município, nunca tive a oportunidade de frequentar.
         Contato com pessoas surdas, apenas de passagem.
       Através de uma vizinha que encontrava as vezes no mercado ou padaria. Hoje esta vizinha é a avó de um aluno que não é surdo. Este menino não tinha contato com a avó pois morava no Norte com os pais. Este ano a família veio morar aqui.
        Ocorreu em um dos dias de aula o pai se atrasou para buscar o menino e veio a avó. Ele chegou se apresentou como a avó do menino, fez referência a mim como uma pessoa conhecida, e disse que não iria embora até o pai do menino chegar, pois iria chover e ela preferia ir de carro. Bom foi isso que entendi, e acho que entendi certo. O menino não conseguia entender a avó, e me pediu para dizer para ele o que estava acontecendo. Quando falei a ele ela sinalizou que era isso mesmo. A avó do menino faz leitura labial, isso eu já sabia. O pai do garoto chegou bem nervoso, comentou que não sabia se os dois se entenderiam.
      Tenho em minha sala de aula um alfabeto de sinais, que não despertou muita curiosidade, uma vez que eu não me sinto segura em usar, preferi não dar muita ênfase apenas apresentei aos alunos, como uma alternativa de comunicação.
           Skliar, coloca que:
        “A surdez é uma experiência visual(...) e isso significa que todos os mecanismos de processamento de informação, e de todas as formas de compreender o universo em seu entorno, se constroem como experiência visual. (SKLIAR,2005,p.27)”.
       Fica mais fácil entender a comunicação entre surdos, ou surdos e ouvintes. Penso que, parece colocar os interlocutores inteiros a disposição da comunicação do momento. Claro que posso a vir pensar assim, uma vez que para mim que estou acostumada a ouvir e responder a muitas crianças ao mesmo tempo, me parece impossível não direcionar a atenção a comunicação dos sinais, quando é preciso entender a comunicação sem o som.
        Achei as aulas muito interessantes, e principalmente quando aborda a condição do surdo como uma condição natural e diferente de viver, afastando o predicado da deficiência, observando a questão da identidade e de pares.
         “O surdo que se conhece e conhece seus direitos e ideais, fortalecido identitariamente e culturalmente. Membro de uma comunidade na qual se revela sujeito dotado de segurança e capacidade de mostrar o que deseja para si e para seus semelhantes. (ROSA, 2009,p.39)”.
      Chego a sentir uma certa alegria em saber que existem lugares onde aos pares, pessoas surdas podem exercer suas habilidades, realizar conquistas e construir sua cidadania. Como educadora são tantas nossas preocupações, são tantos enganos e preconceitos de anos para questionarmos e refletirmos.
         Meu aluno tem um caminho a percorrer até conhecer e entender sua avó materna.
       Tenho pensado em uma forma de auxiliar nesta caminhada acredito que, no decorrer das aulas , eu consiga.

Um comentário:

  1. Oi Silvana, realmente são ainda muitas questões que precisamos debater.Tanto em nossas escolas como na sociedade em geral.O fato de já existir uma legislação vigente em nosso país nos dá o amparo para fazermos as cobranças nos espaços de deliberação.abs,

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